A dança das horas


 "De um canto correm as horas matutinas, cabelouradas, exíguas, em donzélico azul, cinturasdevespas, com mãos inocentes. Velozes dançam, girando suas cordas saltantes. 

As horas da tarde seguem em ouro ambarino. Rindo, braços dados, altos pentes reluzindo, refletem o sol em espelhos derridentes, erguendo os braços. (...)

As horas matutinas e vespertinas valsam em seus lugares girando, avançando umas até as outras, moldando suas curvas, curvando-se visavis. (...)

As horas do crepúsculo avançam de longas sombrasterrenas, dispersas, deixando-se ficar, olhânguidas, faces delicadas com hena e falsa flor tênue. Vestem-se em gaze gris com escuras mangas morcegas que tremulam à brisa terral. (...)

As horas da noite vão furtivas para o último lugar. Horas matutinas, vespertinas e crepusculares retiram-se antes delas. Estão mascaradas, com cabelo adagado e braceletes de sinos foscos. Exaustas, memesuram veladas. (...) 

Arabescando exaustamente elas tecem no chão um padrão, 

tecendo, destecendo, mesurando, regirando..."

(Trechos extraídos da tradução de C. Galindo para o Ulysses de J. Joyce.)

***

Dançam as horas nos delírios de Leopold Bloom; a noite já vai alta, e os capítulos finais se avizinham. 

***

"From a corner the morning hours run out, goldhaired, slim, in girlish blue, 

waspwaisted, with innocent hands..."


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