A borboleta que vem pela janela


"(...)sabão de lavar a alma,
alvejante de coração,
o chá de manter a calma,
o shampoo anti-depressão.

leites de longa vida,
balinhas de erudição,
spray de curar ferida,
azeite, disposição.(...)

A lista de versos do Paulo Cândido cai bem em qualquer quarentena. 

Eu soube do livro A canção da borboleta ausente quando ele ainda estava no prelo; o mundo já estava louco, mas ainda não tão perplexo quanto agora. E no meio dessa perplexidade, foi muito bom tê-lo enfim em minhas mãos. Foi um respiro, um saltinho na leveza. E uma descoberta das mais bacanas: aquele amigo de coração bom, das colocações certeiras e de uma cultura admirável é, também, olha só, um poeta. Não deveria ser surpresa, tamanha sua facilidade de modelar com palavras as conversas mais ricas, mas a poesia é terreno para poucos ousados. Então vibro com minha descoberta: nunca o mundo precisou tanto da poesia, visto que ela nos lembra que somos mais, muito mais. 

A canção da borboleta ausente é um projeto da Drops Editora e tem ilustrações da Fal Azevedo. Tem também prefácio da borboleta-mor, Luciana Nepomuceno. É uma janela da ar puro -- e não é hora de escancarar as janelas? E não se enganem com o título, o voo está lá.




 
©A Estrada Anil - Todos os direitos reservados. Layout por { float: left; }