Florzinha


Tia Mariazinha (assim, no diminutivo), a caçula na família de meu pai. A mais baixinha, a  Mariazinha. A mais engraçada, sempre. "Tia não, prima!" Tá bom. Prima. Mas eu me esquecia e chamava Tia. O aniversário pertinho do da minha mãe; nem sempre eu ligava, mas sempre me lembrava. O sobrenome da família do meu pai é Flor. Então, vejam: Mariazinha Flor. Cabe em quantas histórias?

Tenho essa foto muito linda: eu, minha mãe, três tias, uma prima, mulherada. Estou em pé no canto direito da foto entre minha mãe e minha Tia Tereza. Minha Tia Tereza é aquela da voz. Sabe a voz que a gente traz na memória desde a infância? Adoro a voz dela. Na foto, Tia Tereza tem aquele mesmo sorriso, sabe? Bem aquele antes de dizer "e num é, menina? Besteira!" No outro extremo esquerdo, está Tia Sebastiana, mais séria, né? Claro. Sei. [pisc pisc] Ao lado dela, minha prima Ângela, com carinha de adolescente ainda, nem sonhava em ser a mãe derretida que é hoje. No centro da foto, a mãe dela, a tal Tia Mariazinha. Adivinha? Rindo de boca aberta, certamente falando alguma asneira ou contando alguma piada da qual a gente se acabou de rir depois da foto. Aposto. Está toda iluminada, vestida de azul, braço estendido, talvez chamando alguém mais pra foto? Ou só dizendo: "quero sair jovem". 

Mandei essa foto pra Ângela hoje, pra ela guardar esse momento. Ela tem muitos outros, claro; a mãe está em fotos do mês passado com a netinha, na praia, olha a delícia. Hoje estamos tentando dar as mãos umas às outras. Tia Mariazinha se foi. Há um mês, nem sabíamos da doença. Hoje, precisamos abraçar a Ângela e dizer que ela foi uma luz bonita na vida da Tia Mariazinha. Não que ela não saiba, mas a gente fala o amor, sempre. 

Faz tempo que desisti de tentar entender. Eu sinto, observo, vou vivendo. Em dias assim, sinto o amor, a importância dele. 

Não é bonito? Passar por essa vida e deixar gente falando de amor por aí?

Adeus, Tia. Quer dizer, prima. Obrigada pelos abraços todos.  

2 comentários:

Luciana Nepomuceno disse...

Um abraço pra você, pra Ângela, pra sua tia, digo, prima que se foi mas está, cada linha deste post me fez sentir do outro lado da calçada, espiando a foto se fazer. Até ouvi os risos. Tava nestante escrevendo sobre solidões, aí venho aqui e te encontro. Obrigadinha por ser.

Rita disse...

Ah, Luciana. Você. Obrigada, querida.

 
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