Occupy life


"Meu imperativo talvez fosse outro, embora impossível: 
me fazer praça, me fazer rua, me fazer prédio vazio, 
e que enfim me ocupasse o incontível da vida."

***

Um escritor que visita um antigo hotel abandonado convertido em ocupação por imigrantes sem teto, refugiados, despejados; e que se dispõe a ouvir as histórias desses ocupantes temporários. A história perdida de cada um, os bombardeios, as fugas (internas ou não). Ao mesmo tempo, no universo quase etéreo da vida privada, a gravidez da esposa, a enfermidade do velho pai. Um homem que tenta enxergar o coletivo que a todo momento lhe escapa enquanto também tenta tomar as rédeas de suas próprias peregrinações pessoais. Pessoas em ruínas, relacionamentos em pedaços, memórias que desmoronam. E os afetos, a vontade de enxergar, a tentativa nem sempre feliz de superar os escombros; a ocupação do peito, dos sentidos, da cidade. 

Comecei por aí meu ano de leituras. Cercada dos barulhos do início do ano, comecei devagar. Mas hoje, no meio da praia invadida por banhistas e turistas de todos os sotaques, encontrei meu silêncio e olhei com a atenção devida para esse livro breve e valioso. Julián Fuks, mais uma vez, se mostrou excelente companhia. 

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