O quase fim das férias e o fim das férias


Um passeio pelas imediações do Parque del Oeste para dar uma espiada no Templo de Debod, almoço no restaurante Botín, fundado em 1725, caminhadas preguiçosas para o hotel, jantarzinho num restaurante com ar-condicionado pifado. Achávamos que seria assim nossa despedida de Madrid. 

O Templo de Debod, construído no 2º século antes de Cristo, foi um presente dos egípcios para a Espanha, uma espécie de tributo a engenheiros espanhóis que atuaram em uma represa no Nilo. Esquecido durante séculos, submerso em um rio, "resgatado", desmontado e enviado à Espanha, o templo foi remontado em Madrid. Entramos e fuçamos; essas coisas só servem para nos deixar com vontade de visitar o Egito, não é mesmo? 

Lá dentro: hieróglifos, câmaras, passagens estreitas, mitologia. A fonte que cerca o templo encontra-se vazia - a água deve ter evaporado no calor duzinferno que fazia na cidade, socorro.
O parque ao redor é grandão, mas a gente ficou com fome e foi procurar um restaurante.


Achamos o Bodín. Dizem que Hemingway gostava de comer aqui. Eu achei tudo com a maior cara de taberna em que Dom Quixote faria uma parada antes de defender um reino ou dois. Sem os extintores de incêndio.

Arrumamos as malas, olhamos para a esquina, suspiramos, fomos dormir. Partiríamos cedo no dia seguinte. Esquecemos de combinar com os funcionários do aeroporto de Barcelona, lugar de nossa conexão rumo a São Paulo.

***

Vou resumir nossa manhã no aeroporto de Madrid: nosso voo não aparecia no painel e constava como cancelado na internet. O moço da empresa aérea nos encaminhou para outro balcão. O moço do outro balcão nos comunicou sobre a greve em Barcelona e no encaminhou para... outro balcão. A moça do terceiro balcão nos pediu para esperar. Em nossa volta, pessoas com voos cancelados e tudo que vem no pacote. Nós nos separamos: fiquei na fila, galera foi se sentar, Ulisses foi procurar outras informações. No fim das contas, conseguimos ser realocados em outro voo. Que partiria dois dias depois. 

Eu me apeguei aos seguintes pontos: se eu estivesse no lugar dos funcionários do aeroporto de Barcelona - que alegam excesso de horas extras e pouco pessoal para dar conta do aumento absurdo de movimento no aeroporto durante as férias de verão -, certamente estaria participando da greve. Se eu estivesse no lugar da mulher com quem conversei na fila, prestes a perder o casamento do filho no outro lado do oceano, certamente estaria desesperada. Respiramos, pegamos nossos cupons de alimentação e hospedagem e nos dirigimos ao transporte que nos levaria ao hotel reservado pela companhia aérea. Passamos a tarde de banzo, queríamos voltar para casa, afinal. No dia seguinte, descansados e conformados, escolhemos o parque mais próximo do hotel e fomos bater perna. Madrid não brinca em serviço. O parque era excelente, e no fim das contas passamos o último dia (de novo) em um cenário pra ninguém, nem que teve voo cancelado, botar defeito.

O parque é o Juan Carlos I, mais um dos ótimos parques públicos de Madrid. Foi criado há quase trinta anos para celebração da cidade como Capital Cultural da Europa. É gigantesco, tem lago, olival com milhares de árvores, diversos playgrounds para crianças de várias idades, empréstimo gratuito de bicicletas e ainda um trenzinho, também gratuito, para que você possa fazer um reconhecimento do terreno sem gastar toda a sola do tênis. Ao longo do parque estão distribuídas quase vinte esculturas feitas por artistas de diversos países, inclusive do Brasil, que participaram de um simpósio de esculturas ao ar livre no ano em que o parque foi inaugurado. Foi um presentinho de Madrid numa tentativa de compensar o voo cancelado.

Minha câmera, que já não andava bem das pernas, sucumbiu. Na verdade, o carregador da bateria estragou. Restam fotos feitas com o celular; e a memória.


Ao fundo, o olival a perder de vista. O parque inteiro tem 160 hectares.

O labirinto que fez Arthur e Amanda esquecerem o cansaço. Não confirmo nem nego que adultos também brincaram lá.

A escultura mexicana se destaca na paisagem de um dos lados do parque. Subimos por subir, descobrimos o labirinto do outro lado.



 Arthur escorrendo por entre os Dedos, escultura chilena.

Acabou a festa.
(Meu sogro e a Lu não estão na foto porque estavam descansando num banquinho sombreado. Valeu a parceria, galera.) 

No dia seguinte, ufa, embarcamos. Hasta la vista, Madrid.

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