Nem só de Prado


O Museu Arqueológico de Madrid não estava em nossos planos iniciais, devíamos estar loucos. Felizmente, mudamos de ideia e o incluímos no roteiro. Favorito das crianças, agradou todo mundo. O acervo é ótimo, assim como os recursos para apreciá-lo. O guia multimídia dá detalhes sobre cada peça, cada setor. Além disso, permite que você selecione um tema para moldar sua experiência no museu: quer ver o acervo sob a perspectiva do papel das mulheres nas sociedades ao longo do tempo? É só selecionar esse modo e você receberá informações específicas sobre como as mulheres de tal tribo se envolviam na confecção dos instrumentos musicais, por exemplo. O museu é muito rico, com peças que datam da pré-história ao século XIX. Muitas das peças foram descobertas em escavações feitas na Espanha. As salas que expõem mosaicos romanos foram minhas favoritas, mas há uma imensidão de bons "brinquedos". Na saída do museu, há uma réplica das pinturas paleolíticas da caverna de Altamira - nada como uma caverna de verdade, claro, mas não deixa de dar uma ideia da atividade artística de nossos antepassados. Entrei sem câmera, fiz poucas fotos no celular. Para ter uma ideia do acervo, vale dar uma espiada no website do museu.

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E já que estávamos logo ali, decidimos conferir a coleção do Museo Thyssen-Bornemisza. O "curioso" do Thyssen é a origem do acervo: as pinturas pertenciam à coleção privada de um barão. O senhor Heinrich Thyssen tinha a pretensão de unir em suas paredes obras de arte que representassem todos os períodos artísticos do ocidente, desde os italianos pré-renascimento até a arte moderna e contemporânea. E o fez. No início da década de noventa do século XX, o acervo foi instalado em um palácio não muito longe do Prado e, em seguida, vendido à nação espanhola. Em 2004, o museu abriu uma nova ala com mais de 200 novas obras adquiridas pela baronesa Thyssen. Lá fomos nós ver o que esse povo tinha conseguido reunir em suas salas. Foi um deleite. 

De cara, já fiquei pasma com o Díptico de la anunciación, de Jan van Eyck. É preciso chegar perto para acreditarmos que não estamos diante de duas esculturas, e sim de uma impressionante pintura. Feita em algum momento entre 1433 e 1435 para nosso eterno deslumbre. Das minhas obras favoritas em todo o museu.

Uau.

Vênus, toda vaidosa, pelas mãos de Rubens. 

Santa Catarina, de Caravaggio. A modelo era uma cortesã famosa das redondezas, claro. 

Amor eterno, amor verdadeiro. Rembrandt na parede? O barão tinha.

Ulisses quase mergulhou no canal de Veneza. Para sua sorte, havia outras obras de Canaletto no museu. 

Canaletto.

Canaletto.

Quadrinho envolvente do alemão Caspar Friedrich.

Antes dos amarelos todos, ele pintava assim também. Van Gogh, 1884.

O colecionador investiu em muitos quadros de pintores estadunidenses.  William Trost Richards é um deles, com ondas que parecem fotografadas.

Dalí, obviamente. 

A coleção do Thyssen é riquíssima, tá todo mundo lá, espiem

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