Alentejo: Évora & Vila Viçosa. Tchau, Portugal.


Évora é velha, murada, com ruínas de templos das eras romanas e igrejas de muitos séculos. Tem uma catedral imponente, uma capela macabra decorada com ossos humanos, pousadas instaladas em conventos, comida boa e ruas estreitas para serem percorridas sem pressa. Em Évora, o sol queimou nossas cabeças, talvez nos preparando para o calor inacreditável que nos aguardava em Madrid. A estrada que nos levou até lá é margeada por pinheiros e oliveiras a perder de vista. Estávamos quase nos despedindo de Portugal, falando nas cidades que não visitaríamos e dos vinhos que ainda tomaríamos. 

Ruínas do Templo de Diana, em Évora, erguido no Século I de nossa era. 

Um casal desfocado dessa era.

Interior da igreja do Convento dos Lóios, século XV. I see azulejos everywhere.

Espaço para café da manhã na pousada instalada no convento, ora, pois.


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A Catedral de Évora foi erguida entre os séculos XI e XII, em plena Idade Média. O Nome da Rosa feelings, vocês me entendem. É possível visitar o telhado e curtir uma vista panorâmica bacana, mas o que me agrada mesmo é caminhar sob as arcadas.









O Templo de Diana visto do topo da Catedral. Engraçado imaginar que os construtores da velhíssima catedral certamente se espantavam com quão velho era o templo...

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Varal na rua, porque sim.









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E com o título de ponto turístico mais "What??" ever, a Capela de Ossos. Data do Século XVII e foi idealizada por três monges franciscanos que, bem, dizem, queriam simbolizar a transitoriedade da vida. Desconfio que queriam causar no Insta. Os cerca de 5 mil ossos foram retirados de cemitérios e igrejas das redondezas. Então tá. 




Sinceramente? Sem pressa, amigo. 


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No Distrito de Évora passamos pela Vila Viçosa, que orgulhosamente ostenta essa singeleza aí da foto: um palácio com fachada inteiramente recoberta de mármore. Um mimo das realezas de outrora. Pertencente à Casa de Bragança (familiar?), começou a ser construído em 1501, época vocês sabem do quê. Certamente quem o projetou não limparia as janelas, correto?




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Ainda tiramos uma ou outra casquinha de Lisboa. Um café aqui, um peixinho ali. Visitamos o Oceanário, situado na parte que acredito ser a mais modernosa da cidade, o Parque das Nações, reformada para abrigar a Expo 98 (e lá se vão 21 anos, oh, dear). Ficamos por ali um dia depois de Évora, fazendo hora antes de pegar nosso voo e deixar Portugal. Levei na bagagem as lembranças dos passeios a pé por Alfama e pelo Bairro Alto, os lugares da cidade que mais me encheram os olhos, e das tantas refeições que compartilhamos conversando sem parar, comendo e brindando a sorte e o mundo (apesar de tudo), tricotando sobre os percalços da História e olhando pelo buraco da fechadura para o futuro: que se preserve o bonito, que se preserve. Até mais, Portugal.


Ulisses foi bonzinho e deixou a gente usar o passeio dele.  
Você também brincava de bandeiras? Arthur conhece bandeiras de países que  acho que nem existem. No Parque das Nações, achou um brinquedão.


A foto ruim tirada com o telefone tremido reflete o momento: o sorriso é falso, estavam com fome e calor, e ainda faltavam uns tantos passos até o restaurante. Agradeço a dupla pelo esforço na despedida portuguesa. "Deu, mãe."

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Mais Portugal aqui, aqui, aqui e aqui.

5 comentários:

Tina Lopes disse...

Sou louca por Évora. Devo dizer que faltou uma atração - as salas da universidade, de 500 e tantos anos, com azulejos temáticos (ciência, literatura, filosofia) e púlpitos com madeira de lei para os professores. Ah, saudade.

Rita disse...

Ih, faltou mesmo.

Mila Fernandes disse...

"Data do Século XVII e foi idealizada por três monges franciscanos que, bem, dizem, queriam simbolizar a transitoriedade da vida. Desconfio que queriam causar no Insta."

Vou rir toda vez que me lembrar disso!

Confesso que fui a Évora só pra ver a Capela dos Ossos. (Mas vi outras coisas também.)

Nessas horas, faz falta ter carteira de habilitação (eu não tenho e maridoffmann detesta dirigir), porque na região havia uns sítios arqueológicos visitáveis mas impossíveis de conferir a pé a partir da cidade. Queria.

Mila Fernandes disse...

Em tempo, adorei a sinceridade na legenda das fotos. Tornou tudo muito mais palpável (e suado, ai, como eu detesto o verão, rs!).

Rita disse...

É engraçado como todo mundo fala que "ai, verão, socorro". Entendo perfeitamente. Além das temperaturas, a alta estação eleva os preços. Não é minha época do ano para visitar o hemisfério norte. Porém, a gente quer ir com as crianças, e aí usamos as férias deles. E dessa vez foi punk: nem tanto em Lisboa, que sempre nos presenteava com uma brisa e finais de tarde fresquinhos. Passei até frio, na real. Mas Madrid... cozinhamos.

 
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