A volta do que não foi


Quer brincar de esconde-esconde? Meu esconderijo é the best.

Hoje faz um ano da morte do Roque, nosso cão. Há um ano, bem no feriado pelo aniversário da cidade onde moramos, o Roque foi submetido a uma cirurgia por causa de um imenso tumor e não acordou mais. Hoje, portanto, é um dia meio melancólico em nossa casa. A gente comentou, pensou nele, lamentou enfim. Pois bem. 



Hoje, nesse dia meio melancólico, o Floquinho, nosso outro cão (esse aí da foto), sumiu. O Floquinho é fujão (nós o encontramos perdido na rua e o adotamos alguns anos atrás) e, por isso, sempre tomamos cuidado com o abrir e fechar de portas e portões. Mesmo assim, hoje ele conseguiu sumir. Assim que nos demos conta, saímos dando voltas pelos quarteirões mais próximos: Ulisses, eu, Arthur e Amanda. Berramos o nome dele, olhamos nos terrenos baldios, na área de mata próxima, nada. Pegamos o carro e demos voltas pelas áreas mais afastadas do bairro, peguei o telefone e acionei as redes todas, liguei para os pet shops do bairro. Divulguei onde pude, amigos compartilharam. Interrompemos as buscas para o almoço, mortos de fome. Depois confeccionei cartazes e os espalhamos num raio que consideramos razoável. Demos mais voltas. Voltamos para casa, desanimados.




Mais de três horas e meia depois, a amiga me manda mensagem dizendo que também saiu em busca do Floquinho. Agradeço, digo que não é necessário, imagina a trabalheira. Ulisses então se lembra da câmera de segurança do jardim da frente. Lamenta não ter pensado nisso antes, afinal poderíamos ter logo visto para que lado ele tinha ido e assim otimizado as buscas iniciais. Mesmo assim, por curiosidade, vamos ver a gravação? Vamos. E aí vimos que o Floquinho de fato escapou para o jardim da frente, mas não saiu. Desapareceu ao lado da floreira, como se a casa o tivesse engolido. No momento em que o Ulisses viu a imagem gravada, eu estava numa ligação com um dos pet shops. Ele então me fez sinal para largar o telefone. Encerrei a conversa, desliguei o telefone, e o Ulisses anunciou: "o Floquinho não fugiu. Está embaixo da casa". What?




Pois bem. A estrutura da casa é suspensa. Entre o piso da casa e o chão propriamente dito há um espaço considerável. Achava eu que tal espaço se limitava à parte da frente da casa, incluindo aí uma floreira sob a qual o Floquinho adora se enfiar. Pois ele se enfiou lá de novo. Acontece que só hoje descobri até onde vai a tal elevação (me deixem, não sou engenheira). Quando notamos o desaparecimento, a floreira foi o primeiro lugar onde procuramos, mas não o vimos porque dessa vez ele entrou e avançou rumo ao universo infinito sob minha casa. E nunca saiu, mesmo com nossos berros chamando por ele. Depois de ver a imagem da câmera de segurança, voltamos os quatro para a frente da casa, berrando de novo. Amanda se armou com um pedaço de presunto. Eu duvidei, imagina se esse bicho ia ficar ali por mais de três horas, fazendo o quê? Enquanto eu conferia a imagem no celular do Ulisses, uma bola de pelos meio bege, meio marrom, brotou do chão, arrastando-se por baixo da floreira. Floquinho, imundo, certamente atraído pelo presunto, resolveu encerrar o esconde-esconde. 




Dançamos a dança dos humanos que reencontram seus cachorros, liguei para a amiga que estava circulando pelo bairro - que já aproveitou para arrancar alguns cartazes - e divulguei a notícia nas redes, pet shop, grupo de bairro etc. A amiga chegou, cartaz na mão, passei um café. 




E assim, bem na hora em que, um ano atrás, o Roque adormeceu de vez, hoje eu estava tomando um café com amigos, feliz da vida, comemorando a "volta" do Floquinho. Amanda, olhos inchados de tanto chorar, mal conseguia acreditar. E descobri que tenho amigos que, numa tarde de sábado, saem pelo bairro procurando meu cachorro, outros que me ligam para saber como melhor ajudar nas buscas, vários que compartilham a notícia, torcem e se importam. Eu não sei agradecer, gente, não sei.




Floquinho, seu sapeca. 





3 comentários:

dionete bugyi-zande disse...

"dançamos a dança dos humanos que reencontram seus cachorros" - gizuis, o alívio :D

quem tb sai à procura, ajuda a compartilhar, torce e se importa sabe bem o que o que o dono sente. e provavelmente já sentiu igual. ou só ama os bichos. e os donos. ou o bicho e os donos.

welcome back (?), floquinho, seu danado ♥

Rita disse...

Obrigada, Dionete. :-)

Juliana Barbosa disse...

Floquinho sapeca. Passado o susto, dei boas risadas com a história. hihi
Beijos

 
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