Amandita


Essa semana demos risadas com uma brincadeira antiga, porém nova em nossa casa: você se esconde atrás de mim e posiciona os braços à frente do meu corpo enquanto escondo meus próprios braços em minhas costas. Enquanto falo uma abobrinha qualquer, você gesticula. Seus braços são meus braços, e a brincadeira é procurar a sintonia entre o que eu falo e os gestos que você faz. Brincamos de ser uma. Simbiose melhor não há. A parte mais legal da brincadeira é quando termino a fala e você libera o riso contido. Seu sorriso tem sido minha canção favorita. 

Dia desses você estava triste. É um aprendizado meu também lidar com sua tristeza, suas solidões de menina, seus pequenos grandes dramas impossíveis. Num desses momentos, eu disse que estaria sempre com você. Eu não sei se você percebe exatamente o quão verdadeira é essa frase, mas algo no seu abraço me diz que é possível que sim. Que você sabe, que você sente. Tomara. É a parte mais legal desse amor que tenho por você: é sempre. 

Hoje você faz onze anos de meninice. Você é tão, tão linda. Não, não tô falando do seu rosto de pinturinha de Renoir, nem do cabelo dançante arrepiado. Tô falando do seu olhar, de como você vê o mundo ao seu redor. Tô falando da pessoa que você tá construindo aí no seu coraçãozinho, minha pequena. Minha grandona.

Na camisa do handebol, escondido por seus cabelos afoitos, está escrito Amandita. A gente chama assim, de vez em quando. E agora que você anda às voltas com arremessos e infiltradas, eu queria dizer que a vida gosta bem de imitar o jogo. Há dias em que nada funciona; há dias em que tudo se encaixa. Eu torço que você encare os dois com a mesma garra: no grito de gol e no momento em que ninguém te passa a bola. E que nunca se esqueça que meus braços são seus quando você precisar; e que sempre estarei na arquibancada gritando Amandita, não importa o quanto você insista em crescer. 

Meu amor. Feliz aniversário, minha nerd-espoleta favorita. 

Te amo muito.




Congela! Que essa expressão faz dançar meu coração.

Vumbora que a vida tá só começando.


Sunny winter camping


2018 tem sido um ano de vacas magras no quesito camping. Uma acampada no verão, em janeiro, e nada mais. Mas a paciência é amiga e o planeta não para de girar, e o que não foi possível em outros feriados agora se fez presente. Enchemos o carro de tralhas mais uma vez, compramos comidas inomináveis, enchemos mochilas de casacos e biquínis (a previsão dizia sol e frio, a gente se previne) - e fomos. A previsão se confirmou e tivemos dias gloriosos de um céu absolutamente azul, sem uma nuvem fofinha pra contar a história. As noites foram geladas, e barracas e sacos de dormir provaram que dão conta do recado - houve quem desse uma forcinha dormindo de casaco, detalhes. Passado o feriado, voltamos exaustos num trânsito duzinferno, felizes da vida. Tínhamos bochechas levemente rosadas, canelas levemente raladas, unhas imundas, músculos doloridos, roupas encardidas para todo o sempre, bumbuns achatados da bike e um olho no calendário procurando o próximo feriado. 

Um outro feriado para ir pescar na água gelada do mar catarinense - e não pegar nada, nada, nada, mas quem liga? 


Pra ver o balé das gaivotas.


Pra ver as crianças montando sozinhas a barraca onde os meninos iriam dormir. 


Sucesso!
 Pra descer em bando o morro nas bicicletas envenenadas.


Pra assar sabe-se lá o que na churrasqueira-lareira portátil. (Nossa salvação na primeira noite gelada em que mantas e fogo tornaram possível as muitas risadas sob as estrelas.)


Pra jogar cartas na barraca.


Pra dar as boas vindas à nova mascote, a coisa mais gostosa da vida!


Pra enfrentar o frio nas primeiras horas da manhã e ver o sol nascer na praia; pra ver surgir diante dos nossos olhos o cenário que a Virginia Woolf pintou na maravilhosa abertura de The Waves: 

"Slowly the arm that held the lamp raised it higher and then higher until a broad flame became visible; an arc of fire burnt on the rim of the horizon, and all round it the sea blazed gold."




Obrigada, amiga, pelas fotos!

 Pra olhar as barracas e pensar: que infância, crianças. Que infância. 


***

P.S. da alegria: acampamento de inverno não tem mosquito. \o/

 
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