Houses


"O verão voltou, e eu voltei para casa. Atrás de mim fica o Atlântico, como uma chapa de zinco, uma distorção temporal. Como sempre acontece nesta casa, eu fico mais cansada do que devia; ou melhor, sonolenta. Releio histórias de detetive e vou pra cama cedo, sem nunca saber em que ano vou acordar."

Esse é um trechinho do conto "Em busca da Orquídea", da Margaret Atwood. Ele me jogou de volta ao tempo em que eu morava sozinha e visitava minha mãe. É uma das coisas que a boa literatura faz, isso de, de repente, ser sobre a gente. Um conto escrito por uma canadense nos anos 80 me pega pela mão, me leva até a janela e me aponta aquela paisagem tão minha. E o tempo se dobra, e não estou mais aqui. 

Não estou em casa. A paisagem que me cerca agora é bonita, mas não me pertence. Existe o mar; e o vento, de que gosto muito. A janela noturna do quarto da Amanda é cheia de estrelas, então a espera está sendo suave. Mas sinto saudades de minha casa, da minha cozinha, do meu quintal, dos meus livros. Quando eu abrir as caixas, eles vão se espreguiçar e dizer "aleluia"? 

Eu vou. 

1 comentários:

Juliana Barbosa disse...

Lendo suas palavras, também senti saudades.
Beijos,

 
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