Stitches


Nenhum livro me pegou ainda em 2018. Com exceção do excelente Negociando com os mortos, da Margaret Atwood, lido em um dia, nenhum me fez esquecer do mundo largada no sofá. Li dois bons livros escritos em língua portuguesa que estavam criando teias de aranhas em minha lista eterna, Incidente em Antares, do Verissimo, e A Relíquia, do meu querido Eça. Gostei de ambos, mas sem rompantes. Esperava mais de Antares, deve ser meu azedume atual. A grande decepção por enquanto veio com a italiana Elsa Morante, de quem eu nunca tinha ouvido falar até ver as referências no imperdível Frantugmalia (imperdível para quem curte Ferrante, that is). Devo ter escolhido o livro errado para conhecer a autora; li A História e me considero uma heroína por ter terminado a leitura. Chatérrimo, para ser educada. Há quem discorde, então sigam por sua conta e risco.

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Outra coisa tem me feito ficar largada no sofá ou no quintal, nas excelentes companhias da Amanda e da passarada. Por causa da gravidez de uma amiga querida, ressuscitei minha caixa de linhas e passo horas calada, de agulha na mão.

Bordar pode ser tão envolvente quanto ler um bom livro - ou talvez eu esteja exagerando; de qualquer forma, bordar para outra pessoa é quase poesia. 



A Micaela deve chegar no outono, mas vai encontrar cerejeiras em flor.


Amanda, minha parceira nas agulhas. 


Como as conchas que ela adora catar na praia. 

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Em breve, reforma na casa. Vou precisar bordar muito. #respira


Firme


Vejo os galhos mais claros e acho que precisa de mais água. Vejo os muitos galhinhos novos e acho que tá tudo bem. Ela recebe bastante luz, mas vive solitária num canto da garagem. Devo transferi-la para o quintal onde poderá conversar com as amigas. Acho que seria mais adequado a quem foi plantada por Tia Maria, ela que adorava uma conversa. Ontem, dia 06,  Tia Maria teria feito 88 anos. Ainda seria fofinha. Ainda faria seus doces de mamão? Não sei. Palavras cruzadas? Certamente. E com toda certeza desse mundo ainda cuidaria de suas plantas. Como cuidou dessa que eu trouxe pequenina para minha casa depois de sua morte, há quase seis anos. Tia, o vaso tá torto, eu sei. Mas vamos manter o foco: os galhinhos novos, bem firmes, são meu afeto por você, a lembrança de nossa história. Firme. 


 
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