Paper windows


Depois de muitos anos, voltei a utilizar agenda de papel. Em tempos de agendas eletrônicas, lembretes no celular, alarme para avisar da consulta médica, retornei ao tempo em que os dinossauros andavam sobre a Terra. Algo no manuseio da caneta me traz conforto, tenho certeza de que tio Freud me entende. E já que vou conviver com o caderninho cheio de rabiscos por doze meses, que seja lindo. Em 2017, catei no stand da lojinha de um museu uma agenda com reproduções de pinturas impressionistas. Agora, depois de namorá-las ao longo dos meses, algumas migraram para a parede. Ou seja: agenda multifuncional, quem disse que só os smartphones o podem ser, hein?



As meninas do Renoir.

Flores do Délacroix, boom de cores.

Não tenho mais quinze anos, mas minha nova agenda tem até transfers. A Amanda anda às voltas com seus insetinhos pela casa, cobrindo com caneta figurinhas que magicamente se transportam para o papel. Eu me lembro das "figurinhas-transfer" dos anos 80, nos tempos em que eu usava canetas para alimentar meu querido diário com segredos inconfessáveis e assuntos absolutamente irrelevantes e magnânimos ao mesmo tempo. Ela me ajudou a marcar os aniversários da casa com insetos, somos uma família de assuntos sérios.









Pra garantir o bom uso da agenda, fiz uma listinha de gente grande. ;-)


Amanhã acabam as férias. Volto à minha mesa. Num cantinho dela, caneta, papel, flores e insetos me lembrando que tá tudo certo.

2 comentários:

Luciana Nepomuceno disse...

Estava ali, comentando que tneho uma certa inveja de quem compra e usa agenda (comprar eu até compro). Falta-me, talvez, esta delicadeza de sentir o tempo, como você consegue. De fazê-lo material e materialidade. Tangível como a borboleta pousada na página, mesmo que.

Um 2018 pós-férias bem lindo pra vocês. Meu amor vai daqui praí, pousar entre páginas, quem sabe você sente o leve esvoaçar.

Rita disse...

Sua linda. Tá lá a borboleta no calendário, quase sua foto. (Mas na verdade, uma relação muito estreita com o calendário é mais prisão do que voo, né? A agenda é bem vinda, desde que ela não me impeça de esquecê-la também, de vez em quando, com frequência maluquinha; que seja como comfort food, não como amarras.)
Beijocas!

 
©A Estrada Anil - Todos os direitos reservados. Layout por { float: left; }