Nem só de vinho...



Santiago era uma vontade antiga. Com muitas referências positivas, eu já esperava gostar do passeio. Mas, claro, nosso olhar é sempre o nosso, e aquilo que a tantos agrada pode decepcionar muitos outros. Bem, não foi o caso e agora sou mais uma no coral dos elogios. A surpresa veio, na verdade, no sentido oposto: gostei bem mais do que esperava. Não a imaginei tão verde - deve ser a cidade mais arborizada que já vi; nem tão charmosa. Estamos na metade de nossa curta viagem e já sei que voltarei com uma lista considerável de lugares não visitados por falta de tempo. Temos planos de uma vinda futura ao Chile para outros passeios - o sul e o norte do país - e nesses planos Santiago sempre figurou com um ponto de conexão, um lugar pelo qual passaríamos sem olhar para trás. Se de fato voltarmos ao Chile, e eu espero voltar, desconfio que não será bem assim.

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Passeando pelos bairros vizinhos ao de nosso hotel, me gusta mucho a abundância de flores no verão de céu azulíssimo, enfeitando as ruas com prédios de arquitetura moderna logo após uma série de construções com jeitão de mundo velho. No centro histórico, os prédios que meu guia disse serem neoclássicos me fazem querer reler Inês de minha alma. No audioguia, o narrador me diz que Salvador Allende tirou a própria vida no interior do La Moneda - suspiro, "sei". Com histórias bem ou mal contadas, sigo pelos parques e ruas bebendo a cidade com grata surpresa. Mesmo que tantos tenham me dito, olhar Santiago de pertinho tem sido uma pequena festa.

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Os bairros disputam o título de mais arborizado. Os restaurantes de algumas áreas badaladinhas disputam o título de mais acolhedor. A comida é cara, acho tudo caro - em alguns casos, absurdamente caro. O metrô tem preço bom e é bem distribuído, pelo menos para quem vem em visita; algumas estações são lindas e várias delas têm pontos de empréstimos de livros, pequenas bibliotecas. As ciclovias nos parecem irregulares, mas os pontos de aluguel de bicicleta são bem disputados. A lista de museus por visitar me deixa até triste - não terei tempo. Vejo livrarias e universidades aos montes. O calor é forte, caminhamos o tempo todo procurando o abrigo das sombras das árvores. De vez em quando dobramos uma esquina e a cordilheira nos acena do horizonte. Amanhã vamos visitá-la.   



Cerejeira carregadinha numa pracinha qualquer. 
Dispensamos a subida ao topo do Costanera. O preço absurdo do ingresso nos pareceu um abuso. Trocamos pelo teleférico no Parque Metropolitano e não nos arrependemos. A vista da cidade é um deleite.


No teleférico: Arthur, Amanda, Santiago, o Costanera ao fundo, a Cordilheira lá atrás.



O Parque Quinta Normal limpa a vista.







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Árvore carregada, na casa do Neruda.

Nerudas.


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La Moneda. 
Bellavista e seus cantinhos.



Um ponto qualquer do Parque Forestal.


Amanda aproveitando para botar as práticas circenses em dia.

Museu de Belas Artes





Sede dos correios, onde outrora morou Pedro Valdivia - lá vou eu correndo para o livro da Isabel Allende.

Universidades em luta, sempre.



A Cordilheira nos chama no horizonte e cabe numa taça de vinho.

Para além de todo o hype, é lindo, acolhedor, com boa comida e excelente atendimento. Mas como regra, caro. E a gente nem pode comer na mesa-cama...



Um rua banal na Santiago que vimos até aqui é assim, verde.

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Os garçons e vendedores tentam nos atender em português; nós tentamos nos comunicar em espanhol. E viva o portunhol, a língua mais divertida ever, falada fluentemente por essas bandas.

2 comentários:

Luciana Nepomuceno disse...

Chile é um desejo antigo. Vou ficar de caderninho na mão anotando os bizus. E que fotos lindas

Mônica disse...

Amo muito o Chile, e um tanto mais pela visita através do seu olhar sempre atento e sensível. Faz tempo que programo um retorno, dessa vez indo pro deserto (da outra fui pro sul, uma lindeza indescritível)

 
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