Das festas que vêm de longe


No ano passado não decoramos a casa para o Natal, tivemos um white Christmas com amigos, longe de nossa casa. Talvez por isso tenha sido tão bom arrumar a casa agora - acho que estávamos com saudades de desempacotar as tralhas douradas e montar nossa árvore. Acho graça de tanto pinheiro e referências a uma neve que nunca virá, mas nossa capacidade de fazer de conta é infinita. 

Outro dia uma amiga perguntou a Amanda por que ela comemora o Natal, já que ela "não tem religião". Amanda disse que a primeira coisa que veio à cabeça foi "bem, eu gosto de comer peru". Rimos das prioridades festivas e lembramos que assim como nós tomamos emprestado da festa aquilo que nos convém (a troca de presentes, a reunião em família e amigos, as refeições caprichadas como forma de celebrar a vida e trocar votos de um mundo melhor), assim os cristãos também o fizeram em algum momento da história e adaptaram ao seu modo uma celebração pagã muito mais antiga do que qualquer tradição cristã. Relembramos que na época do ano que hoje marca o Natal em tantas partes do mundo, muitos povos celebravam o solstício de inverno no hemisfério norte por muitos e muitos anos antes de o Império Romano adotar o cristianismo como sua religião oficial - e então vincular datas de festividades populares à simbologia cristã como forma de angariar mais e mais seguidores. Como bem sabemos, a coisa deu certo, e o Natal ganhou ares de festa cristã por excelência. Mas, eu disse à Amanda, nós tiramos da festa o que queremos e não precisamos de religião para celebrar outras convenções - a "virada" do ano, recomeços. E assim celebramos. 

O solstício de verão no hemisfério sul nos traz o dia mais longo do ano; o final do ano nos traz férias escolares e recesso no trabalho; a ceia de Natal tem delicinhas; os amigos nos paparicam; todo mundo ganha uma lembrancinha; não exaltamos as colheitas como aqueles que festejavam a Saturnália, mas tudo bem. Muito antes de se tornar uma festa com significado religioso, as festividades de dezembro celebravam o vínculo do ser humano com a natureza, os ciclos que se renovam e evoluem fazendo do planeta esse lugar impressionante. Assim, tiramos da festa o que quer que cante em nosso peito. Brindemos!


Esperando a neve... não, quer dizer..






Eu poderia substituir por novos, mas gosto assim, descascadinhos.


A cera derretida de natais passados aguarda um novo lote.

Bells, piano, tanto faz.

De balão, para as renas descansarem.

***

1 comentários:

Anônimo disse...

Adorei! Ana Carolina

 
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