Laços



Um casamento em ruínas, dois filhos, um gato, uma amante; os avessos de um passado revelado em documentos, fotografias e objetos espalhados pelo chão de uma casa invadida e revirada; e um texto fluente para ser lido em único fôlego. Esses são alguns dos elementos de Laços, de Domenico Starnone (Ed. Todavia, tradução de Maurício Santana Dias). É verdade que esse pequeno livro, de pouco mais de 140 páginas, remete os leitores de Elena Ferrante ao enredo de Dias de Abandono, porém com perspectivas adicionais: em Laços lemos as cartas, ouvimos os filhos, os ângulos se multiplicam. Em contrapartida, talvez Laços não tenha a força de Dias de Abandono, seus personagens não se desnudam como a inesquecível Olga; ainda assim, o texto traz a angústia dos que percebem que os papéis que assumimos nos moldam e limitam (inevitavelmente?), e apresenta um desenho da viagem vertiginosa desencadeada por essa percepção. 

3 comentários:

Renata Lins disse...

e vc achou que ele era ela? ou acha que é a mulher? ou não tem opinião....? beijo!

Rita disse...

Não achei que ele era ela em nenhum momento; não acho agora. E acrescento que realmente não me importo com a identidade da pessoa por trás do nome Ferrante, especialmente agora, depois de ler o ótimo Frantumaglia. Agora, se é verdade que Domenico é o marido dessa pessoa, se eles interagem com frequência, compartilham ideias sobre literatura e escrita, não me admira que o estilo dela tenha de certa forma influenciado a escrita dele. Não li nenhum outro livro dele, mas acho a escrita (e a trajetória, descrita em Frantumaglia) da Ferrante rica e poderosa a ponto de, sim, espalhar influências. Laços dialoga com Dias, acho; mas é só aí que a coisa me toca, no diálogo dos livros.

Renata Lins disse...

entendi... vi Frantumaglia hj em livraria, abri, esse me deu vontade de ler. adoro esse estilo recortes.
beijo!

 
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