A lista sem fim


Tenho um arquivo já velhinho em meu computador com uma lista de livros que pretendo ler. A lista mais cresce do que encolhe, naturalmente, são sempre tantas as obras que gostaria de conhecer, muito mais do que consigo dar conta. Incluo dicas que vejo em todo lugar, seja numa resenha publicada por ocasião de mais um lançamento, em posts de amigos nas redes sociais, nas referências que surgem dentro de outras obras. Por vezes paquero um livro na livraria, adio a compra, ponho na lista. De vez em quando surgem memes sobre dicas de leitura, minha lista ganha mais umas linhas. E assim vai. A ideia é poder consultar o arquivo naqueles dias em que decido acessar a Estante Virtual, ou aproveitar alguma semana de promoção das livrarias virtuais. 

Sempre que abro o arquivo para incluir algum título passo os olhos e vejo que, opa, esse já li no mês passado, retiro o título de lá. O último que risquei morava no rol de vontades há algum tempo, Um defeito de cor. Li o livro de fôlego da Ana Maria Gonçalves há algumas semanas, risquei da lista (como já comentei com amigos no Face, gostei e aprendi muito, apesar de lamentar algumas passagens que considero prolixas demais, extensas demais). Vale muito a leitura, uma obra que resgata tanto da pluralidade de culturas e sotaques das populações negras trazidas para o Brasil como escravos por tanto tempo. 

Passando os olhos por outros títulos em minha lista nesta semana, vi que o livro que estava lendo naquele momento também estava anotadinho ali, num trecho antigo contendo títulos sugeridos depois de um bate-papo no Face. Era O conto da aia. Fiquei pensando no quanto adiei a leitura, ainda que lesse sobre Margaret Atwood aqui e ali e sempre ficasse curiosa. Fui enfim engolida pela adaptação para a TV, assisti a série com o coração na mão, encomendei o livro (esgotado nas livrarias onde procurei, encontrei na Estante Virtual - Ed. Rocco, tradução de Ana Deiró) - e agora posso curtir/sofrer junto. Finalmente vou riscar de meu arquivo esse livro tão inquietante. Por causa da série e das loucuras políticas da atualidade mundo afora, muito tem sido dito sobre a obra, vocês nem devem mais aguentar falar no assunto. De tudo que ela retrata, o mais louco para mim é saber que nada ali foi exatamente inventado. Gostei muito da série, recomendo enfaticamente (se ainda não viu, corra). Dos medos que tenho, um dos mais inquietantes é o medo do fanatismo religioso; talvez por isso a história tenha  me tocado bastante. 

Ter visto a série antes em nada comprometeu o prazer da leitura - pelo contrário, adorei ter a figura da Elizabeth Moss em minha cabeça enquanto avançava pela narrativa em primeira pessoa. Moss é uma atriz incrível e adorei vê-la (e, de certa forma, lê-la) na pele de Offred, a protagonista dessa história tão perturbadora. Mal posso esperar pela segunda temporada, mesmo sabendo que seguirá livre do livro, já que praticamente toda a história criada por Atwood já foi retratada na primeira temporada da série. Queria dizer que deveria ter lido há mais tempo, mas a culpa é da lista - e dos outros que nem chegam a entrar nela (já estou lendo Ferrante outra vez, me aguentem).

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