No alto da Serra


(Alerta: a blogueira adora araucárias, fotografa todas.)


***

Imagine um céu absolutamente sem nuvens durante mais de 48 horas. Imagine uma estrada sinuosa margeando rios e vales coloridos pela luz do outono num dia assim. Imagine ainda o friozinho que faz a gente conversar encolhidinho, procurando abrigo nos abraços, pense nos finais de tarde que o sol pinta. Por fim, imagine o céu que se revela lá na mata depois que o sol se põe, longe das luzes da cidade: o sem fim de estrelas sobre nossas cabeças pequeninas. Pois foi assim. A Serra Catarinense tem mil cantinhos, e fomos mostrar alguns deles para as crianças. Escolhemos um lugar reservado, e na companhia de amigos que já se acostumaram a esse negócio de ir procurar um mato pra se esconder tivemos um feriado de sonho. Não levamos barracas dessa vez, dormimos protegidos do frio sob um teto comum - uma festa para as crianças e também para nós. Aquecemos a noite com vinho e conversa e aproveitamos o privilégio maravilhoso de poder visitar lugares tão lindos relativamente próximos a nossas casas. O litoral tem seu charme e seus convites, mas seguir a margem do rio e subir a Serra do Rio do Rastro num dia azul pode ser um regalo dos mais valiosos. Sinto-me renovada, sortuda, cada vez mais deslumbrada com esse planeta absurdamente bonito em que vivemos.


Talvez para as cinco crianças do grupo o ponto alto tenha sido deslizar nas tirolesas sobre um mar de árvores de todo tamanho - ou sobre uma cascata de cerca de 100 metros de queda livre, socorro. Ou simplesmente dormirem juntas num quarto só delas, vai saber. Para o grupo dos mais velhos, fica difícil dizer. Talvez o céu estrelado seja meu candidato mais forte, mas o brinde no mirante da Pedra Furada enquanto o juízo congelava também tem chances, lado a lado com a cavalgada lenta; ou praticamente invadir o quintal rural alheio para pegar o melhor ângulo do pôr do sol - como se Floripa já não nos brindasse com um céu laranja e vermelho no fim da tarde dia sim, dia também. Bom, chega de conversa. Quando o dia nasceu no sábado nem acreditamos na nossa sorte ao ver a cor do céu. Tomamos café já na estrada, todos juntos. E fomos. 

A Serra ao fundo, majestosa, nos chamando.
Não sei o que é mais legal, se ver o mundo do topo ou o caminho até lá.


Elas começam esporádicas, e logo estão por toda parte.



Nós, o mundão lá embaixo e a estrada encravada na serra.

E quando se chega ao topo, o que se faz? Se joga.

Parecem normais, mas eles descem pendurados num cabo em alturas imensas.

A floresta sobre a qual os malucos da foto anterior deslizaram na tirolesa. 
Meu filhote, procurem aí.

E a filhota, que superou o medo e se jogou. 
Foto aleatória de araucária.
Aquele pontinho amarelo é o moço que se casou comigo.

De volta ao chão, sunset hunters.
Invasão de propriedade.

E ainda nem havíamos chegado à pousada da casa escondida no mato. Aí a noite chegou. 


Vou deixar as fotos do céu noturno sem legendas. Todas foram feitas pelo amigo Arvid. Se eu fosse vocês, convidava o rapaz para os passeios e pedia para ele levar a câmera.


 



Brincamos de sky watch e achamos Júpiter brilhante e grande, Arturos piscando loucamente, e outras lindezas.

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As estrelas da manhã também eram bem lindas.
Como a gente chegou à pousada à noite e só tínha olhos para o céu, não foi uma surpresa desagradável acordar e se deparar com esse "pátio". Oh, dear.
Olha! Uma araucária! (sorry)

Veja só, uma cascata bem alta. Vamos deslizar sobre ela pendurada num cabo? Vamos! Boa ideia!

Cascata do Avencal.

E elas deslizaram como quem voa.

Junta que tá frio.

Vamos brincar de azul?



É bonita a árvore, é bonito o fruto, é bonita a flor. ;-)
Próximo a Urubici, há um pequeno sítio rupestre mal conservado e provavelmente adulterado. Nenhuma placa nos ensina o que quer que seja sobre as inscrições. Data estimada? Simbolismo? Especulações? Na falta, fizemos nossas "análises", cof cof - imaginem.



No fim do dia, colher abóboras.
***

Na manhã seguinte as nuvens esconderam nosso azul. A gente nem ligou. Era dia de pocotó pocotó.

Nonada...
Gaúcha desde ontem.
Partiu.
Antes de descer a Serra de volta a Floripa, subimos um pouco mais para conferir o visual da Pedra Furada. Lá onde o mundo é lindo faz frio.








Encerramos com  uma rápida conferida na tal Véu de Noiva, mas os rios andam baixos e o véu estava fino. 

Parece um momento poético, mas na real eu estava berrando "Amanda, pelamô, tira a mão dessa água gelada".
***

Além de babar com as paisagens, comemos, bebemos e conversamos miolo de pote. Tudo como tem de ser, especialmente o miolo de pote. Pensando bem, especialmente o vinho guardado para uma ocasião à altura - nesse caso, nas alturas. Ou ainda a comilança - a famosa truta com molho de amêndoas não decepcionou, jisuis, que coisa gostosa (se bem que me acabei mesmo foi na carne de ovelha, nham!). A lamentar apenas a falta de estrutura compatível com o número de turistas que circulam por lá. Poucos restaurantes, banheiros impossíveis no café da Véu de Noiva, o péssimo estado da estradinha que dá acesso ao Morro da Igreja (de onde se vê a Pedra Furada), o descaso com as inscrições rupestres. No posto em que paramos para abastecer antes de voltar pra casa a gasolina havia acabado - e o inverno, época de maior movimento na região, ainda nem chegou.

Mas vou brincar de otimista e esperar melhoras. E toda vez que alguém falar "vamos subir a serra?" perto de mim, já vou pegar o casaco, feliz. 


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