The room with the most beautiful view


"Quando falamos do Big Bang ou da estrutura do espaço-tempo, o que estamos fazendo não é a continuação dos relatos livres e fantásticos que os homens contavam em torno da fogueira nas noites de centenas de milênios. É a continuação de outra coisa: do olhar daqueles mesmos homens, às primeiras luzes da alvorada, buscando em meio à poeira da savana os rastros de um antílope - observar os detalhes da realidade para deduzir deles aquilo que não vemos diretamente, mas cujos indícios podemos seguir. Conscientes de que podemos sempre nos enganar e, portanto, dispostos a cada instante a mudar de ideia se aparecer um novo indício, mas sabendo também que, se formos competentes, compreenderemos corretamente, e descobriremos. A ciência é isso."



Sete breve lições de física, do italiano Carlo Rovelli (Ed. Objetiva, tradução de Joana Angélica d'Avila Melo): um livrinho-tesourinho. Para leigos que podem até não entender lhufas daquelas equações quilométricas, mas que nem por isso deixam de se emocionar com a natureza que elas descrevem. Um livro minúsculo que em menos de 100 páginas fala com simplicidade e paciência sobre o que Newton não respondeu (ou evitou perguntar), por que afinal Einstein foi tão brilhante, como a ideia de campo gravitacional conversa (e briga) com a mecânica quântica, entre outras lindezas. Há ainda buracos negros, calor, tempo - e o dedinho do Hawking. Uma espécie de índice: veja por onde passeiam os físicos, essas pessoas que examinam o mundo espalhado fora da nossa janela - ou escondido dentro de cada ínfimo pedacinho que nos forma. Instigante, honesto como deve ser a boa ciência da qual ele trata, é um texto que abre portas que abrem outras portas que abrem outras etc. Sabe aquele papo de perfume bom em frasco pequeno? Pois.

 

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