Tão longe, tão perto




Olhando daqui Vancouver não parece ser um lugar no meio do caminho. É quase uma quina do mundo. Mesmo assim fizemos dela o meio da nossa viagem. Escolhemos passar por lá e unir a curiosidade sobre a cidade à chance de rever um amigo da época da faculdade - ou, para Ulisses, de antes desse tempo. Quando descobrimos que o João estava morando em Vancouver, anotamos a ideia. Demoramos tanto para botá-la em prática que ele se mudou de lá, mas topou passar uns dias na cidade para que nos encontrássemos. Eu nunca vou saber agradecer direito tamanha gentileza: ele nos guiou por dias, cozinhou para nós, nos presenteou com sua companhia com paciência e carinho. Vancouver foi bacana, não nos desapontou. Mas bom, bom mesmo, foi ver o João e conhecer o Daniel, seu companheiro igualmente querido. Nos sentimos acolhidos, perto, pertinho. De quebra, ganhamos também a companhia do Spike, o cachorro que fala.


Soubemos que tivemos muita sorte em um período do ano que costuma ter céu cinza e muita chuva por lá. Para nós, os dias foram azuis e gelados. A pouca neve que caiu um dia antes de irmos embora foi até bem vinda, já sabíamos da beleza da baía e dos parques. Vancouver tem montanhas ao fundo, tem a combinação de água e verde que adoro aqui em Floripa, tem ruas largas que ainda estavam lindamente iluminadas por causa das festas de fim de ano. Tem também comidas e pessoas de todos os lugares do mundo, além dos motoristas de ônibus mais simpáticos (juro).
 
João, Ulisses e as crianças no passeio preguiçoso que fizemos por Stanley Park, às margens da baía. Tava mais frio e mais bonito do que a foto consegue revelar.  

Não dava pra reclamar da vista do hotel...
... tínhamos camarote para as disputas entre gaivotas e hidroaviões.  
João nos mostrou parque, praça, bairro velho, bairro novo, China Town, mercado público (hum, delícia!). Quando ele tirava uma folga, a gente se equilibrava na Capilano Bridge, uma ponte suspensa que balança, balança, mas não cai, dizem. A Capilano tem uma espécie de festival de luz no final do ano e nós fomos lá conferir. Morri de medo e de frio, mas as crianças curtiram a aventura dos tree tops enquanto eu me concentrava em não olhar pra baixo.

Arthur e Ulisses tocando air guitar em frente a uma casa da família Hendrix, num bairro old school.


Kids will be kids.
  
Um totem família.
Há totens muito bacanas pelos parques nos lembrando da população nativa da região.

A Capilano Bridge, muito muito muito alta. Tem riozinho passando lááá embaixo e árvores imensas all around, mas eu não olhei muito, concentrada em dizer "não balança, Arthur, não balança!"

Ela, à noite, lindinha e mais tranquila, já que a escuridão tirou um pouco meu medo da altura.  


***

João e Daniel providenciaram um apartamento com amigos e nos receberam para um jantar de conversê. Eu conversei pouco, porque o frio pegou minha garganta, mas espero que eles tenham percebido o quanto me senti grata pela acolhida tão cheia de charme.
 
Christmas crackers enquanto esperávamos a comida - todo mundo brincou.  

João e Daneil se mudaram há pouco tempo de Vancouver. Agora moram em Robert's Creek, um tiquinho mais pra lá na esquina do mapa. E lá fomos nós. Pegamos a balsa e passamos um dia circulando pela vizinhança. João nos garantiu que todos os ursos estavam hibernando. Nós acreditamos e, depois de encher os olhos com os azuis do norte e encher nossa pança de comidinhas feitas em sua cozinha com vista de filme (e depois de um cochilo canadense), fomos para o meio das árvores imensas.


 


O sol deu um toque laranja momentâneo no tronco. Achei meio Van Gogh, curti. 

Eu, árvore pequena. 
  
Nenhum urso avistado. João nos contou que já deu de cara com mamãe e filhotinhos. Uia.
De volta a Vancouver, sem nossos amigos guias e sem o Spike para bater papo, visitamos um centro de ciência para crianças e fomos ver a cidade lá do alto. Gostamos e recomendamos o restaurante giratório, Top of Vancouver Revolving Restaurant. A vista é show de bola e a comida é decente. As crianças, claro, adoraram a ideia do restaurante carrossel. 



Nos despedimos caminhando até o hotel por ruas que são um convite. Vancouver é linda, sim. (Robert's Creek também é, João.)


***

(Algumas coisas são as mesmas em qualquer continente: Amanda feliz da vida com sua sacolinha de macarons numa rua qualquer de Vancouver. Comparem com a foto aí embaixo, aos três anos, em Paris.)
:-)
Sacolinha de macarons, toda vez. 
***

De Vancouver partimos para NY. Teve susto no Metropolitan, variação absurda de temperaturas, musical bacanérrimo, comida ruim e finzinho de férias. Conto já.

2 comentários:

BethS disse...

tenho dois enteados (filhos do ivan) que moram em vancouver. outro dia eles mandaram fotos de uma maluquice extrema: nadar em um lago gelado, a -5 graus... parece que é uma festa popular, e no lago do urso polar... rsrsrss
quero muito visitar a cidade, parece ser linda.
essas férias foram otimas, né rita??
beijos pra voces.

Rita disse...

Foram, sim, Beth. Especialmente pelas pessoas que encontramos por lá, amigos muito, muito queridos. Vancouver tem astral bom demais, espero que você vá e curta muito!
Beijos!

 
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