O ano que começou


Querido leitor, olá! 
Feliz ano novo. Como passou o Natal, tudo bem? As férias vieram e eu as agarrei com fúria; agora me resta falar delas para esticá-las um pouquinho mais. Não é assim?

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Tem sido uma tarefa difícil eleger as melhores férias dos últimos tempos, mas devo dizer que dessa vez o negócio ficou sério. Quando dezembro foi chegando e decidimos nosso destino para as festas de fim de ano eu já imaginei que provavelmente viveria dias para guardar; acertei. Na verdade, não era bem o lugar para onde iríamos, mas as pessoas que iríamos encontrar. Foi num certo interior no norte dos Estados Unidos, mas poderia ter sido no sul de Patópolis. Ou aqui ao lado, no interior catarinense. Foi também na costa oeste canadense, mas poderia de novo ter sido Recife, onde morou há tempos o amigo que agora habita uma casa de sonho cercada por uma floresta de árvores imensas e filhotinhos de urso. Foi uma viagem longa, com retorno cansativo e agito de New York City no final, mas foi principalmente um reforço na certeza maior de nossas vidas: são as pessoas com quem dividimos nossa caminhada que fazem tudo valer a pena. Obrigada aos amigos que nos acolheram, alimentaram, paparicaram, guiaram, transformaram nosso início de 2017 no melhor início de ano de que se tem notícia. Amo vocês e espero muito poder retribuir tanto carinho.

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Amanda idealizou muito o Natal. A perspectiva de um White Christmas encheu sua cabecinha e ela recitava: quero lareira, neve lá fora, chocolate quente. Ela teve tudo isso, mas logo viu que esses eram os elementos menos incríveis. A neve fez sucesso, claro (ela não limpa a entrada da casa no dia seguinte), o chocolate quente também. Mas na frente da lareira havia gatos. E ao redor, uma sala toda preparada para um natal com crianças, árvore imensa, presentes, enfeites, recadinhos dos elfos, aconchego, tanto amor. Minha amiga Ângela e seu marido Pete fizeram do natal de seus filhos um momento meio mágico e na mesma medida acolheram Arthur e Amanda. Passamos dez dias em meio a barulheiras bilíngues. Fomos definitivamente estragados para sempre: as melhores comidinhas, as melhores conversas, os melhores xingamentos em portenglish, as melhores confusões com as crianças, os gatos mais perseguidos, o esquilo mais gordo, o coiote mais raro no quintal (rá!), os pássaros mais coloridos pintando a neve.

Julia, Amanda, Arthur e Max. 
Ângela, Julia e Amanda - may friendship be our lighthouse.
O pôr do sol que o Ulisses viu enquanto eu olhava para o farol.

Depois do Natal, cruzamos a fronteira canadense e fomos dar um abraço nos familiares que Ângela e Pete têm em Toronto. Foi nossa segunda passagem relâmpago pela cidade que continua me deixando com gostinho de quero mais. O que já estava bom virou festa. Além dos parentes do Pete que conhecemos há anos em nossa primeira visita à cidade (quando o Arthur ainda morava na minha barriga e a sobrinha adolescente do Pete era um bebê de colo), reencontramos a irmã da Ângela, uma de minhas primeiras professoras de inglês em mil novecentos e faz tempo. Foi absurdo de tão legal. Toronto me parece fria, gigante, animada, tão linda. Eu toparia, fácil. Enfim, criançada pede bicho, então fomos pro Aquário aos pés da CN Tower. Pede museu também, fomos pro Science Museum. Todo mundo fez seu estágio de astronauta, os bichos mais lindos continuam fascinantes, eu continuei sendo mimada. Ganhei o melhor quarto na casa mais fofa da rua mais linda por onde caminhamos enquanto a neve nos lambia; Amanda ganhou outra casa com gatos. Os esquilos de Toronto são pretos, porque tudo sempre pode ficar mais fofo. Simone e Justin, guys, thank you so very much! Amy, Scott, Hannah, Samantha, you are the sweetest people. Não sei bem se podemos dizer que fomos "pés quentes", mas adoramos torcer para o time de hockey. ;-) Sabe aquele papo de que Canadians are as cool as one can be? Pois, tô concordando. 

Como, como pode ser tão linda?

Observem o sufoco de quem tá no espaço sem o traje adequado. 
De volta aos EUA, estabelecemos uma relação meio louca com o frio: espantávamos hoje, abraçávamos amanhã. De parque aquático aquecido a aula inaugural de esqui, passando pela experiência de deslizar monte de neve abaixo sentado ou deitado numa boia gigante, de tudo teve. A neve que tinha derretido e revelado o verde do gramado do quintal voltou a cair. As crianças da Ângela receberam a visita dos avós, Mr and Mrs Burford, e continuamos praticando o bom esporte de jogar conversa fora. O relógio seguiu, o mundo ficou branco outra vez, 2017 chegou. Entramos o ano na vibe "chega mais".
 
Ulisses covardemente ataca dois garotos indefesos.

O quintal dos visitantes coloridos.
Quando o ano novo chegou, Ulisses, Arthur e Amanda encararam a primeira aula de esqui da vida. Se eles se divertiram? Bom, eu me diverti assistindo. \o/ No dia seguinte, todos trabalhados na vontade de esquiar mais, era hora de partir. E então nos despedimos com o coração quentinho. A diversão foi grande, mas trago comigo mais, trago o conforto das conversas nas refeições infinitas e a alegria de se saber querido por gente tão especial. Amar os amigos, estender o amor aos filhos deles - o mundo fica bom assim.

Eu sei que teria sido em qualquer lugar. Mas fico feliz que tenha sido ali, naquele cantinho frio da Pensilvânia. Porque foi pra lá que voltei meus pensamentos quando Ângela foi embora há tantos anos e fiquei torcendo por suas escolhas. Então deixa ser longe, a gente dobra essa distância com café (thanks, Pete) e mimosa (ui, que bebida esquisita, quem nesse mundo bebe champanhe com suco de laranja no café da manhã??? esses pensilvânios são loucos).
 
Todo mundo lindo na foto do trilho da cortina.

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Amanhã volto com a segunda parte da viagem. Tem mais amigo das antigas (todo mundo tem um amigo que mora longe, mas eu exagero, o meu foi pra Vancouver), uma casa na floresta e um cachorro que fala. 

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