O misterioso caso dos títulos esquecidos



Meu filho de 11 anos descobriu uma brincadeira boa da qual fui adepta durante um tempo em minha adolescência: seguir os passos de Hercule Poirot. Nunca descobrir o assassino antes da revelação final, aprender uma ou outra expressão em français, interpretar pistas da forma mais equivocada possível, chamar tia Agatha de "dama do crime" - the whole package. 

Eu indicaria todos que li décadas atrás, se me lembrasse dos nomes. Tento resgatar os títulos do fundo de alguma gaveta da memória - Morte no Nilo? Alguma coisa na Mesopotâmia? - mas em minha lembrança ficou mais a sensação de prazer que eu tinha com aqueles livros do que o título das histórias. 

O primeiro que indiquei - e desse me lembrava - foi Assassinato no Expresso Oriente. Devorou e adorou. Devidamente fisgado, leu O Natal de Poirot. Sugeri que deixasse Cai o Pano para depois. Não sugeri Trabalhos de Hércules, porque achei bem ruim; e esgotaram-se os exemplares que tenho em casa.

Antes de correr pra livraria, resolvi consultar os amigos do Face e vou guardar aqui a lista de sugestões dos favoritos. Fiquem à vontade para pitacar, a casa agradece. Nem todos são exatamente indicáveis para alguém com 11 anos, talvez role uma triagem básica, ou não. Veremos. Segue a lista pra facilitar a vida.


O caso dos dez negrinhos (ou E não restou nenhum; líder absoluto nos comentários entre meus amigos no Face)

Um gato entre os pombos

Punição para a inocência

O assassinato de Roger Ackroyd

Os elefantes não esquecem

O caso do pudim de Natal

Treze à mesa

Morte no Nilo

Convite para um homicídio

A casa torta

O misterioso caso de Styles

Morte na praia

O mistério do trem azul

Tragédia em três atos

:-)
Thanks.

Camping na casa do Saci


Os dois últimos dias de trabalho antes das minhas curtas férias de outubro foram tão cansativos que cogitei desistir do acampamento. Na noite da terça, véspera do feriado do dia 12, tudo que eu queria era uma cadeira, uma almofada e paz. Mas depois de uns trinta minutos de cadeira, almofada e paz, liguei pra amiga e fiz um bolo. Aí tirei umas comidinhas do armário, olhei para o "kit camping", falei vumbora e arrumei as mochilas. A previsão do tempo era louca e desisti de me preocupar com ela; na dúvida, peguei casacos e biquinis, galochas e chinelos, protetor solar e sombrinha. Na manhã da quarta-feira prendemos as bikes no carro e pegamos a estrada.

A loucura da previsão se confirmou com chuva, ventania, frio, lua, sol e calor. A decisão de ir se mostrou acertadíssima. 

As bikes



As crianças (quatro no primeiro dia, onze no último) passaram praticamente todo o tempo montadas nas bicicletas. Descobriram (ou inventaram) uma casa mal assombrada para onde pedalavam animadas e encarnavam o espírito stranger things. Precisaram ser proibidas pela administradora do camping de invadir a tal casa (onde já se viu, tia, deixa eles...), detalhe. No frio ou no calor, de dia ou de noite, elas foram de bike.





A luneta

Estávamos pensando na sorte que temos com a lua: parece que ela resolve ficar cheia quando decidimos acampar. Graças a Amanda, agora temos um motivo a mais para celebrar essa sorte. Sua luneta entrou oficialmente para a tralha do camping. Como se já não bastasse tomar um vinhozinho ao ar livre vendo a lindona lá em cima, agora curtimos suas crateras "de pertinho". Brinquedão de todos nós.


  


As trilhas

Dessa vez trocamos a praia por trilhas. Bem, as trilhas levam à praia, mas curtimos mais a caminhada do que o destino. Queríamos meio do mato. E pensar que cogitei não ir.
 
Partiu.
Chegou.

 


A cara de quem sabe que acertou no passeio.
O prêmio.
No dia seguinte à primeira trilha, o grupo ficou maior e decidimos repetir a dose. Fomos pela mata, mas voltamos pela encosta.

Partiu de novo.
A praia toda nossa outra vez.
O visual da volta.

 



Os bichos

Nos dois dias de caminhadas, cachorros nos seguiram. Como guia cuidadoso, a figurinha aí da foto não deixava ninguém pra trás. Ele (ela?) e seus amigos receberam muitos nomes das crianças e conquistaram todo mundo. Ninguém ligou pras pulgas.


Um abraço de muito obrigado. Ninguém. ligou. pras. pulgas.
O gavião exibido fez showzinho só pra nós.

 
Naquela árvore abaixo da lona havia um ninho. O dono do ninho entrava e saía indiferente à nossa barulheira. Eu particularmente o achei um vizinho bem simpático, já que a gente conversava até tarde e ele nunca reclamou



Dos outros bichos (barata voadora e mosquitos) não tenho nada muito louvável a dizer. Nem fotinhas, era só o que faltava.

Os sacis


É fato sabido e indiscutível que os sacis nascem e vivem nos bambuzais. A foto aí em cima mostra a entrada de nossa barraca e uma casa de sacis. Na primeira noite do acampamento, este bambuzal e o outro, ao lado da barraca de minha amiga, foram palco de muitas conversas de sacis. Devia estar rolando alguma conferência, uma sacizada bem animada. Foi engraçado ver Amanda no meio da noite sentada no saco de dormir, tentando ver quem cargas d'água estava batendo papo ao lado da barraca àquela hora. Minha amiga, por sua vez, chegou a perguntar várias vezes se a filha estava chamando durante a noite. Algumas pessoas mais incrédulas do grupo tentaram nos convencer de que tudo não passava do barulho da ventania balançando os bambus e causando o range-range. Mas eu e minha amiga sabemos da verdade, eram os sacis. Inclusive, um deles sumiu com o pote de canela.

O andarilho

O camping estava praticamente vazio. Prefiro assim, pra ser bem sincera. Acampar, pra mim, tem mais de refúgio do que de festa. Gosto do sossego. Dessa vez, tínhamos por companhia apenas um outro campista solitário, o Rafael. Aproximou-se do grupo ali pela churrasqueira, no espaço comum onde preparávamos as refeições. Sua barraca minúscula, armada a muitos metros das nossas, já havia chamado a atenção das crianças. Amanda, inclusive, incluiu-a como "ponto de referência" no mapeamento que fez para as andanças dos stranger things kids. Pois bem, conversa vai, conversa vem, Rafael nos conta que aqueles eram os dias iniciais de sua viagem de três anos pela América Latina. Seguirá por aí com a barraca e uma mochila, pegando carona, acampando ou em couchsurfing. Além do amigo que se juntará à jornada em Buenos Aires, vai criando vínculos mais ou menos soltos pelo caminho. Fomos seus primeiros "parceiros" nessa aventura e desejamos que sua viagem seja um sucesso. Ninguém se tocou de fazer uma foto sequer com o Rafael, mas não é difícil reconhecê-lo se vocês o encontrarem por aí: ele é aquele moço com cara de tranquilo, um mochilão desse tamanho, comendo brócolis. Boa sorte, Rafael! Não se esqueça de ligar pra sua mãe de vez em quando.

O fim da festa


Desmontar as barracas, fazer a última refeição em grupo, desamarrar as cordas, dobrar as lonas, recolher as bikes, passar o último café, perder o chinelo, ver a cor das unhas das crianças e falar "jesus...". Existe esse momento nos acampamentos em que a gente se sente... satisfeito. Acho que é isso. 

A gente foi embora, e uma nova tempestade, dizem, rondou a região. Nosso grupo não viu, já estávamos em Floripa. Mas aposto que os sacis conversaram um monte. 

My baby just loves to dance, she's got to dance, she wants to dance...


A megatalentosa professora da Amanda antes de conduzi-la aos bastidores do teatro. 
Azamiga beijoqueiras.

We love to dance, we love to dance, uuuhhuuuuu...

Sentada no escuro da plateia, insisto no modo automático, que evidentemente não dá conta de fotografar corpos em movimento na luz tão específica do teatro, e volto pra casa com imagens borradas. Nada de figuras claras e nítidas, apenas vultos que parecem se mexer e... espera aí. De repente gosto das fotos. Ah, nem reclamo mais. Faz de conta que é como se eu tivesse fotografado até a voz rouca da Zaz cantando outra vez Nous debout, debout, même les pieds dans la boue, on voit les étoiles jusqu'au bout.... Vocês tão leves, tão envolventes, colmeia de meninas bailarinas enchendo aquele palco de luz. Boba eu que não larguei a máquina, assim não teria perdido nem um segundinho. Mas deixa estar, logo vocês estarão lá outra vez. Por ora vou curtir meus borrões de luzinhas, meus retratos apressados. Que são como música, afinal. Soulève, soulève-toi, au-dessus des toits, des ardoises...





  


Parabéns, minha menina. Que negócio divertido esse tal de palco, né? 

 
©A Estrada Anil - Todos os direitos reservados. Layout por { float: left; }