Seis anos


Ontem vi A Chegada, um filme terno que me emocionou muito, que me fez chorar por causa da beleza. Há muito o que se dizer sobre ele, eu poderia passar horas conversando sobre, é um daqueles que a gente revê ao longo da vida e fala sempre ah, esse filme. Boa, a sensação de reencontro com a arte, sempre é. Pra mim, foi assim. Mas foi também outra coisa.

Olha aí o dia 09 outra vez. Fala-se sobre muitas coisas interessantes em Chegada - tempo, construção de sentido, linguagem, alteridade. Mas esse não é um post sobre o filme. Então eu queria só dizer que em certo momento a protagonista faz uma escolha. Há várias maneiras de a gente ler essa escolha. Uma delas é vê-la como uma opção pela presença do outro em nossas vidas, mesmo que isso implique, talvez, dor. Eu queria dizer, mãe, que eu continuo escolhendo isso também. Eu brinco de dobrar o tempo e sua mão fica bem pertinho. Claro que dói às vezes, mas só eu sei como é ouvir meu nome em sua voz. Nem que seja quase. I embrace it. Seis anos, um cisco no tempo do mundo. Mas imagina o tanto que poderíamos ter conversado nesse intervalo. Hoje seria sobre Chegada. E eu diria: ah, mãe, tem uma cena tão linda em que ela entende o que a filha dela é. E você diria algo como: eu sei o que uma filha é, ora. E eu diria: eu sei que sabe. E a gente ia rir e falar do clima. Ou do tempo e da distância. E eu ia voltar a falar do filme e você ia dizer que me amava dobrando o espaço e me tocando como agora dobro o tempo e abraço você.

Que saudade das nossas conversas, Dona Berna. 

4 comentários:

Renata Lins disse...

Ai, Ritinha.
E por conta dos comentários sobre a morte do Lennon, eu escrevi um hoje que fala de saudade também.
De um ontem que nos acompanha.
Um ontem que é hoje todo dia.
Ou seja, nem vi o filme, mas já sei.
Love.

Rita disse...

Você sabe.
Love, dear.

Luciana Nepomuceno disse...

eu li o post ontem, mas não sabia como comentar. continuo direito sem saber, mas acho que passa um pouco pelo motivo pelo qual eu ainda eventualmente choro em casamentos mesmo não me empolgando ou acreditando necessariamente na instituição por si só. é o momento do "eu aceito". tem uma beleza hipnotizante, acho. como seu post.

Fabiana disse...

Seu amor pela sua mãe é contagiante.

 
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