Só melhora


Dos três lidos até aqui, História de quem foge e de quem fica (Elena Ferrante, Ed. Biblioteca Azul, tradução de Maurício Santana Dias) foi o que mais me deixou aflita. Enriquecido pelo realce do ambiente político que circunda as personagens e pelo engajamento delas nas convulsões sociais da época, além da entrada "oficial" do pensamento feminista na história das meninas, considero o melhor dos três livros. 

É claro que as transições sociais já faziam parte da narrativa da infância e adolescência das meninas nos dois primeiros. Vem daí, inclusive, boa parte da riqueza dos livros de Ferrante, essa leitura e interação das personagens com os conflitos que cercam e às vezes esmagam suas vidas. Mas em História de quem foge a vida adulta as empurra inexoravelmente para o olho do furacão, para dentro da fábrica, as ruas, para o plano político gritando no ouvido. As formas ao mesmo tempo distintas e entrelaçadas como esse outro plano toca e revira a vida das duas protagonistas nos mantém agarradas ao livro. 

E, claro, existe Nino; e toda a rede de personagens secundários transitando em volta das duas, o riquíssimo mosaico criado por Ferrante, cada criança, cada professor, cada amor, cada amigo ou amiga adicionando dor e cor; e ódio. E no meio da tormenta... o que dizer daqueles laços que aparentemente nunca se desfazem? Como olhar a maternidade nessa muvuca? Mas e aquelas rupturas que vêm como um soco? 

O que será daquele bairro no quarto livro? Que forma terá o mundo delas? Oh, dear. 
 
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