Da beleza


Há a vitória, a derrota, as surpresas. Em tudo, a beleza.

Vi as Olimpíadas exatamente da mesma forma como em todas as outras vezes, pela TV. E ainda assim, que enorme diferença. Era tudo logo ali, mesmo que não fosse. Pela TV, Pequim, Londres e Rio deveriam ter a mesma distância, mas não. A Rio 2016 foi quase ao alcance da mão. Era como estar com um pé lá (e quase estive, mas disse não), como se meu grito pudesse ser ouvido pelo atleta na quadra na hora do saque. Tudo pela vontade de que desse certo, de que pudéssemos receber bem e celebrar o esporte com o coração na mão. 


As imagens que encheram meus olhos nas últimas duas semanas valeram o sono e a leitura adiados. Os sustos e surpresas compartilhados com quem estava no sofá ou do outro lado da tela do telefone transformaram as horas. Foram dias mais largos: já saíamos pro trabalho com um olho na esgrima; no almoço, sempre tão corrido, cabia uma luta de judô. Jantamos com pólo aquático e só dormíamos depois que a última bola caía na areia de Copacabana. Pela TV, o povo dessa casa torceu por pessoas de quem nunca tinha ouvido falar e vibrou com velhos "conhecidos". Algumas vezes, não importava muito a cor da camisa, numa Olimpíada a gente torce pela beleza, pela superação, pelo humano, pelo pequeno, pelo gigante, pela inteligência do corpo, pela garra, pelo improvável. A gente torce, é como gostar, sentir e espalhar carinho. É bonito e bom. 


Tantas cores na pele, nas bandeiras, nas camisas dos atletas realçam quão vasto é o mundo, quão diversos seus habitantes. A diferença enriquece nossa experiência nesse planeta, é bom que seja assim. De tempos em tempos, a gente junta todo mundo num mesmo palco e curte o deleite.







***

Passou. Que nossa capacidade de enxergar o belo nunca esmoreça. 


(Todas as fotos deste post: aqui)

3 comentários:

Vívien Gonzaga disse...

Puxa vida, Rita! Desde o encerramento que estou tentando dizer - a um aqui, a outro ali - porque esta Olimpíada foi diferente, e, então, você colocou tudo nos eixos rsrs Faço minhas suas palavras! Mas sem usurpar, pois, "aos usurpadores, fora", sempre!
Estou amando seu blog (que descobri no "A cozinha coletiva"), pela inteligência do texto, pelo humor delicioso e pela escolha sensível de cada abordagem - bem a propósito do valor da beleza nas nossas vidas!
Obrigada e um grande abraço!

Rita disse...

Obrigada, Vívien. Daqui a pouco a gente se encanta com as Paralimpíadas também. Bj e fique à vontade.

Marissa Rangel-Biddle disse...

Estou lendo agora. Passei um pouco longe da Olimpiada. Eh bom ler aqui e acola textos ( com fotocas) sobre o evento. Brigadinha!

 
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