Azamiga


Enfim li o primeiro livro da série napolitana de Elena Ferrante, A Amiga Genial (tradução de Maurício S. Dias, Ed. Biblioteca Azul). Com expectativas geradas pelo fato de que várias pessoas, com cujo gosto literário me identifico, andam festejando o livro, e com todo o risco que tais expectativas impingem à leitura, fui. 

De início, não houve arrebatamento, escrita envolvente, amor, nada disso. O livro foi crescendo em mim, aos poucos. É engraçado, tenho a sensação de que gostei mais dele do que ainda sei, talvez pelo fato de ir lendo e pensando "bacana, mas não é essa purpurina toda", mas: não largava. Li em, sei lá, três dias. Pra mim, neste momento, crianças de férias, eu sem férias, Stranger Things na Netflix (devorei os oito episódios, nham!), foi uma leitura rápida, feita em poucos blocos de poucas horas. O fato é que nas últimas páginas o livro aconteceu

Não sei se pelo clima em que me encontrava - a mesa posta esperando os amigos que viriam pro jantar, Alanis cantando alto na sala - no final fui caindo na cadeira onde Lenu estava sentada, e fiquei observando Lila e toda aquela periferia em um mundo que é Nápoles, mas sabemos ser também cada uma de nossas cidadezinhas, vilas, bairros, nossas infâncias e adolescências quase sempre assustadas (ou não seria adolescência, combinemos, o susto é inevitável). E fui vendo como Ferrante desenhou a identificação tão universal que a gente sente na competição quem é mais sozinho nesse mundo. 

Não amo a Lila, como me parece que várias de minhas amigas que leram o livro amam. Tampouco amo Lenu - aliás, a prova de que me envolvi com o livro mais do que sei é a lembrança, nesse momento, à medida em que escrevo aqui, dos momentos em que eu quis pular no pescoço dela. Mas se o fizesse, o que diria? Ei, vou te esganar porque você faz aquelas coisas que a gente faz: busca sem saber o quê, e vê os precipícios? Vou te esganar por me lembrar o tanto que a gente se mede no olhar do outro? Talvez não tenha sido a atmosfera da sala, nem a Alanis. Talvez tenha sido o fato de que A Amiga Genial não passa de uma introdução, um convite: quer ver o que acontece com essas (e tantas) meninas? E foi nas partes finais do livro que aceitei o convite e me vi comovida, enfim.

"Não houve arrebatamento", mas o segundo livro da série está a caminho e hoje corri para o pacote que o correio deixou. Não era. To be continued.  


8 comentários:

Renata Lins disse...

Hum, sei não... o post me deixou com a sensação de que você achava que tinha que gostar, e se esforçou muito.
Mas não rolou.
Aguardo próximos capítulos.
Beijo!

Luciana Nepomuceno disse...

cada vez gosto menos destes livros e mais de quem os lê :)

e, claro, a cada texto que vocês escrevem, vou pensando que, talvez, se aproxime a compreensão do motivo de não ter me envolvido. Por exemplo, do seu post eu pesquei o lance da adolescência: a minha não foi um susto. Nem sei se ela chegou a ser, propriamente.

e, agora, espero ansiosa, que você leia o segundo, mais ansiosa do que me senti pra lê-lo eu mesma


Rita disse...

Renata, eis um esforço que não fiz. Achei bom, sem entusiasmo, até a metade. Depois rolou o envolvimento que tentei descrever no post. Pelo jeito, não consegui, né.

Lu, adolescente sem susto, o que posso dizer? Vamos em frente. Na pior das hipóteses, teremos mais conversa pra jogar fora. :-)

Renata Lins disse...

:) então. aguardo. mas lê de novo seu próprio texto. mesmo esse envolvimento aí, é meio morno, né? assim senti. vamos ver a sequência. tô esperando tb. e não consegui passar do comecinho (na livraria)... tô achando graça nisso.

Anônimo disse...

Eu senti o mesmo que vc. Mas no seguinte, A Historia do Novo Sobrenome me envolvi mais. Vc leu o post da Marw W sobre essa tetralogia?

Rita disse...

Anônimo (nome?), não li com medo de possíveis spoilers. Acho que a Mary já leu três, né?

Juliana disse...

Eu tentei ler. Não passei da página 80. Não vi o encanto ainda.

Tô curiosa por um outro dela, Dias de Abandono.

Rita disse...


Oi, Ju. Se eu curtir os outros livros dos napolitanos vou ler esse Dias de abandono também. Bj.

 
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