Pequeno diário da beleza


"As pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas." 
J.G.Rosa, em Grande Sertão:Veredas

***

Eu era adolescente quando a TV brasileira exibiu a minissérie Grande Sertão:Veredas. Consigo me lembrar das chamadas durante a programação que eu assistia. Não sei dizer o porquê de não ter visto a série toda. Vi pedaços de capítulos, acho. Talvez eu não tenha me interessado pelo tema, não havia lido Rosa ainda. Talvez minha mãe tenha achado inadequados o horário e/ou o conteúdo e eu não tenha tido escolha mesmo. Não sei. Sei que não vi, mas me lembro do burburinho em torno do negócio.

Quando li Grande Sertão, dois anos atrás, bateu aquela curiosidade retroativa em relação à série, naturalmente. Ainda não vi, não comprei os DVDs (mas vou fazê-lo, em breve). Outro dia, porém, num bate-papo sobre o Rosa na página Paraísos de Papel (recomendo as dicas em vídeo da Fal e da Andréa, procurem no Face/Youtube), alguém falou do diário que a Bruna Lombardi fez durante as filmagens para a série da TV. Curiosa, comprei meu exemplar por DOIS reais na Estante Virtual e o deixei ali na cabeceira, na fila. Ontem, tarde preguiçosa de sábado, li o Diário.


Foi um prazer imenso. Oitenta páginas apenas, um livreto despretensioso com anotações em frases curtas em sequência cronológica mais ou menos rigorosa, um conjunto de impressões, nada mais. O valor vem na sensibilidade de Bruna que fez aquilo que deve ser ao mesmo tempo o maior desafio e a maior delícia da vida dos atores e atrizes, se vestiu de seu personagem em muitos níveis; mergulhou, como se diz, no universo da história com tanta inteireza que seu breve relato ganhou ares de inventário precioso. 

Três meses de Diadorim/Sertão. Não se trata de um apanhado pormenorizado da odisseia que foi gravar cenas de batalhas entre bandos de jagunços no alto Sertão; também não é um estudo sobre a composição de um dos personagens mais ricos da literatura brasileira; ou um tratado sobre uma história de amor surpreendente. É um tiquinho de cada coisa, sempre a partir da autodescoberta da pessoa Bruna, um olhar pra dentro através das imagens e cheiros da poeira do Sertão. Uma pequena ode, se posso chamar assim, às belezas, inteirezas e miudezas de que tratou o Guimarães em sua obra. 

***

"Estou profundamente feliz e recompensada por todo esse sofrimento e loucura que tenho passado. Deliro o tempo todo extasiada. Perdi o contato com a realidade. Na verdade, ela me interessa pouco." p. 22

***

Espiem: uma lindeza sobre o humano -  e com orelhas de Caio Fernando Abreu, pra tudo soar bonito.

3 comentários:

Anônimo disse...

Que blog lindo o seu. Parabéns!

Marissa Rangel-Biddle disse...

Uau! A serie teve partes gravadas la na minha terra. Tem gente que fez fotos com o Toni Ramos. Enfim.

Rita disse...

Anônimo, obrigada. :-)

Mari, uau, que barato. :-D Acho que você iria curtir esse livrinho. Bjs!

 
©A Estrada Anil - Todos os direitos reservados. Layout por { float: left; }