Under the moon, under the rain, under the sun


Depois de um dia montando barracas, comendo churrasquinho, andando de bike, falando que ela viria, ela veio; enorme, amarela, cheia de si. 



Nós já esperávamos a chuva - que também veio enorme, abundante e retumbante com seus tambores de trovão. Antes dela, porém, a lua nos ofereceu o rio, e nós aceitamos.



Terríveis piratas temidos nos sete mares.



Quando o aguaceiro despencou, as barracas já estavam montadas, as crianças estavam raladas de mil tombos de bicicleta, eu devidamente picada de milhões de mosquitos e a lua, escondida. Generosa, a dona do camping convidou o grupo para se abrigar em uma casa vazia ao lado do lote das barracas - foi um pouco como sair do acampamento, algumas crianças protestaram. Contudo, foi também um agrado bem vindo, e por ele somos gratos. "A casa" foi nosso refúgio nos momentos de chuva mais forte no dia seguinte. 

De minha parte, peguei tanta chuva em acampamentos que até já me acostumei com o tamborilar das gotas na lona da barraca. É como se minha barraca insistisse em me provar que aguenta o tranco. Assim, torci muito para que a chuva nos deixasse no segundo dia, mas curti os momentos em que me recolhi com meu trio sob nosso abrigo que já tem a nossa cara.  Se estou contando certo, foi nosso sétimo acampamento, provavelmente o quinto em que tivemos ao menos uma noite de chuvarada sobre nossas cabeças. Lanterninha acesa, Arthur e Amanda dormindo exaustos de tanto brincar, a chuva cantando lá fora, Ulisses ao meu lado nesse hobby doido que a gente adotou - tem lama, mas tem beleza, oh yes.

Porém, em acampamento com criançada, bom mesmo é o sol. Quando ele voltou, veio com força. Sacamos os biquínis que pareciam impossíveis na véspera e voltamos ao rio. De barquinho, de caiaque ou a nado, cada um cruzou como quis os metros que nos separavam do mar, tendo o encontro das águas como cenário. E curtimos dois dias de uma praia tão linda que fez a chuva da véspera parecer um preço baixo demais para tanta beleza. Anotem aí e visitem: Guarda do Embaú, um dos muitos cantos lindos dessa Santa Catarina que capricha nas fotos.



Com o tempo firme, retomamos nossas refeições sob as árvores, as crianças voltaram a dominar as barracas. E de novo tudo ficou com gostinho de que bom.



***

Acho que Arthur se lembrará desse acampamento como "aquele em que cruzei o rio a nado". Tomara. Tenho cá comigo que um dos maiores baratos desses dias passados sob o sol e a copa das árvores é justamente isso: encher de bons quadros a memória de nossos filhos. Sempre podemos nos enganar, mas imagino Arthur e Amanda, daqui a décadas, reclamando dos limites na infância, de ter de comer tudo, de tomar banho e desligar o computador; até que, de repente, abrem um sorriso cheio de saudades: ah, mas os acampamentos...





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