O grande toblerone amarelo


Certo dia de janeiro, depois de algumas horas circulando pelo Van Gogh Museum, em Amsterdã, fizemos, Ulisses, eu e as crianças, aquela paradinha básica na loja do museu. Entre canetinhas, ímãs, bolsinhas, livrinhos e outras loucurinhas tentadoras, saímos de lá com um leque decorado com as flores da amendoeira mais linda (presentinho pra Amanda), um livro sobre o acervo do museu e uma reprodução do quadro Irises, pintado em 1890. Já na loja comentamos em que parede colocaríamos nossas florezinhas azuis tão lindas. E saímos empacotados em nossos casacos, falando do frio e do quanto tínhamos curtido o museu, planejando uma comidinha pra mais tarde, essas coisas. Na mão, eu levava nossa mais querida aquisição, a reprodução de Irises, protegida em uma embalagem cartonada amarela em formato de prisma triangular - que nos lembrava um toblerone gigante. Amsterdã era a primeira das quatro cidades que visitaríamos nas férias, o que significava pegar alguns trens carregando, além das malas e mochilas, um grande toblerone amarelo. Nossa cara.

E assim foi, de lá para Berlim num trem noturno com algumas trocas. Em cada estação, eu conferia apreensiva: quatro malas, duas mochilas, um coelho de pelúcia, a bolsa da câmera fotográfica, duas crianças, um toblerone amarelo. Dias depois, rumo a Praga: quatro malas, duas mochilas, um coelho de pelúcia, a bolsa da câmera fotográfica, duas crianças, um toblerone amarelo. Deslumbrados com Praga, pegamos novo trem rumo a Leipzig; uma vez instalados na cabine, conferi de novo: quatro malas, duas mochilas, um coelho de pelúcia, a bolsa da câmera, duas crianças. Pronto, tudo aqui. Espera. Olha de novo. Putz. Cadê o toblerone amarelo? Ficou no hotel em Praga.

Não bastou ser grande, amarelo, em formato de toblerone. O pacote foi esquecido. Em Leipzig, enviei um e-mail para o hotel. Sim, eles haviam encontrado o indiscreto volume. Foram muito gentis e se prontificaram a enviá-lo para nosso endereço em Leipzig, mas infelizmente não haveria tempo suficiente para a entrega. Voltaríamos logo para o Brasil. Well, paciência. Até questionei sobre a possibilidade, que julguei remota, de ter nosso toblerone enviado pra cá. A resposta do hotel, num primeiro momento, foi o compromisso de verificar o custo do envio e, caso eu arcasse com ele, fazer a remessa. 

Já no Brasil, recebi nova mensagem do simpático moço da portaria, Sr. Jaroslav, dizendo que haviam nos enviado nosso quadro-chocolate - por conta do hotel. Agradeci demais a gentileza. Mas, cá pra nós, nunca botei fé que o tal pacote-prisma fosse chegar incólume até minha casa. Sem possibilidade de rastreamento, já que a encomenda foi enviada por navio, com previsão de entrega depois de meses, julguei que as chances de extravio eram enormes e dei nosso quadrinho por perdido.

Pois hoje, mais de sessenta dias depois de nosso retorno, o Arthur ligou pro meu trabalho.

- Advinha, mãe, o que aconteceu?!! 
- O Floquinho fugiu??? 
- Não!! Nosso toblerone chegou!!

E chegou mesmo. Cuidadosamente embalado em plástico preto, com cara de um grande toblerone amargo (hum, já pensou, que delícia?). Cortamos o plástico e lá estava nossa embalagem amarelo-van-gogh e, dentro dela, a reprodução do Irises, coisa mais linda. Logo receberá moldura e ocupará seu lugarzinho sobre o sofá.


Se você for a Praga, recomendo o Archibald Hotel. Fica coladinho na Ponte Carlos, no coração histórico de Praga; a rua tem cara de Ouro Preto, a comida é decente, o quarto é um mimo - e, principalmente, o pessoal de lá é bem bacana, manda as lembrancinhas mais queridas de volta pra nós. Obrigada, Sr. Jaroslav. Dekuji!


5 comentários:

Monix disse...

Ai, que amor ♡
Coisa boa quando o serviço é atencioso assim. Já contou pra Mari?

Beijos

Juliana disse...

Que lindo!!! A gentileza é uma coisa tão quentinha, né?

Mary W. disse...

Que legal que chegou! acabou sendo melhor ainda recebe-lo agora <3

Rita disse...

Achei um mimo mesmo. Foi como receber um presente surpresa, porque eu realmente duvidei que chegaria.

:-)

Marcia disse...

Que super bacana, Rita. Agora a ilustração não é mais um mero produto da lojinha; agora ela tem uma história pra contar!

 
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