Leipzig


As malas já foram desfeitas há dias, as crianças estão voltando às aulas, mergulhei em um livro. Parece que um tantinho já se passou desde que voltamos de Leipzig, nosso último porto nas férias itinerantes de janeiro/fevereiro. Queria ainda dizer que foi tão bom.

Diferente de Amsterdam, Berlim e Praga, em Leipzig ficamos em um apartamento e não em hotel. Um ninho cheio de mimos que se tornou o lugar favorito das férias para a Amanda. Qual foi o passeio mais legal? "- O apartamento de Leipzig!", diz ela.
  

Ainda que cheio de mimos, eu não quis me demorar. Tínhamos apenas o primeiro dia para o motivo de nossa passagem por lá, o dia seguinte seria uma segunda-feira e os museus estariam fechados. Então suspendemos os "oh, que fofo", "ah, que graça" e caminhamos rumo à cidade velha. Fomos ao encontro do tio Bach.


Durante o tempo em que viveu em Leipzig, Bach foi responsável pela formação musical dos meninos da Escola de São Tomás, um coral atuante em várias igrejas da cidade. Foi uma espécie de mestre de capela, à frente das atividades musicais da igreja luterana de São Tomás que, na época, gozava de alto prestígio no mundo do protestantismo. A estátua acima fica localizada no pátio localizado nos fundos da igreja. Do outro lado da rua, o Bach Museum conta a história de sua vida, especialmente do período passado na cidade. Adorei o museu, cheio de histórias sobre a família (de músicos) de Bach, instrumentos musicais usados nas orquestras de seu tempo, a Leipzig do século XVIII, sobre a escola e as igrejas onde trabalhou e, claro e acima de tudo, sua música. Passamos horas explorando as salas, ouvindo trechos de peças, fuçando os mil gadgets interativos.

Selfie com um órgão que um dia Bach tocou (atrás, em péssimo ângulo, mas o Arthur tá gatinho).

Diversão na sala com peças tocadas por instrumentos comuns no século XVIII. A gente escolhe o som que quer destacar e fica lá, brincando de música.

A frente da igreja de São Tomás.

Lá dentro, restos mortais de Bach. Durante nossa visita, alguém ensaiava no órgão, enchendo o ambiente com um som triste e solene. Não era uma música especialmente bonita, apenas uma trilha sonora possível. 

Gostei de Leipzig, cidade com cara de universitária, com ruas largas cruzadas por ciclovias, cafés, lojinhas, várias referências a seus moradores ilustres (e foram muitos, Goethe que o diga), estudantes passando apressados com seus enormes violoncelos. Estava frio, choveu um pouco, tivemos pouco tempo. Ainda assim, foi um final adorável para nossas andanças. De lá seguimos para Frankfurt, onde pegamos o voo pra casa. Guardarei a lembrança de suas ruas marrons. Ou, para roubar descaradamente uma descrição que acabei de ler no Pintassilgo, de Donna Tart, suas ruas de "marrons cor de violoncelo". Bem assim.

Fundos da igreja de St. Nicholas, linda. 

Seu interior, surpreendentemente claro.


O órgão. 



Goethe e um caminhão estragando a foto.


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1 comentários:

Lud disse...

Entendo a Amanda, perfeitamente. Também adoro apartamentos =D.

 
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