Christmas card


As muitas dores do ano, com suas guerras pequenas e grandes; os muitos mares de lama, simbólicos ou dolorosamente reais; os olhares dos imigrantes; as balas perdidas ou cruelmente direcionadas; nossas perdições, todas elas. Todos os sustos, todas as vezes em que não soubemos o que dizer antes do choro. Para além de tudo isso, ou talvez por causa de tamanho penhasco, quero olhar com atenção para meus filhos brincando. 

E então ver as conquistas do ano, grandes ou minúsculas; ver os sonhos que resgatamos e os novos projetos, loucos e ousados ou mesmo tímidos; cada dia passado às gargalhadas com os amigos, cada brinde; cada passagem comprada, simbólica ou com malas prontas; cada palavra escrita, cada capítulo lido com o coração aos pulos; cada silêncio compartilhado em cumplicidade; cada vez que a receita deu certo, cada novo passinho da Ciência; cada dia em que o amigo conquistou, celebrou, decidiu; cada dia em que o mundo nos revelou um campo dourado aos pés do penhasco.

Para além das celebrações do solstício de inverno transformadas em festa cristã; para além dos ritos, símbolos, versos - eu quero o abraço. Que venha de perto ou em palavras, que venha em minhas saudades, que venha em mensagem ou telefonema, que fique no pensamento, que dance no vento, na rua, em mim. Abraço que nos lembre que não sabemos quase nada, mas que, seja lá qual for o caminho, ele será no mínimo mais divertido se a gente se lembrar de não caminhar sozinho.

Do jeito que for pra você, qualquer que seja o significado do seu natal, que ele seja feliz e grande. Pretextos para desejar um mundo melhor, como não agarrar? 

Feliz natal, queridos. 




2 comentários:

Anônimo disse...

Boas Festas e um Bom Ano cheio de coisas boas, beijinhos
Sílvia

Anônimo disse...

Um abraço, Rita.

Felicia

 
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