Pearl Jam, com emoção


Mesmo levando em conta o trânsito normalmente ruim nos finais de tarde nas grandes cidades, estávamos tranquilos: chegaríamos ao aeroporto de Confins por volta das 16h30, quatro horas antes do horário previsto para início do show do Pearl Jam, no Mineirão. Tempo mais do que suficiente para o deslocamento até Belo Horizonte, para deixar as crianças na casa de amigos e seguir direto para o local do show. Mesmo com algum engarrafamento, tínhamos folga. O problema é que para poder encarar o trânsito de BH em noite de show no Mineirão, eu precisava antes conseguir aterrissar em Confins. Num final de tarde com temporal.

Nosso voo já saiu atrasado de Congonhas, mas um atraso sem grandes consequências para nossos planos. A coisa degringolou mesmo quando, prestes a aterrissar em Confins, o piloto arremeteu a aeronave por causa do mau tempo. Rolou certa apreensão, uma circulada aqui, uma desviada da nuvem ali, e lá fomos nós outra vez, tentar descer. Nova tentativa, nova arremetida. Aí já percebemos que o avião começou a se afastar totalmente da área da chuva e cantei logo a bola: vamos descer em outro lugar, Confins deve estar fechado. E fomos para Vitória, no Espírito Santo.

Oh, well. O chato é que o show não era em Vitória, no Espírito Santo. E nada contra Vitória, no Espírito Santo, mas, né? Socorro. Eu não queria Vitória, não queria Espírito Santo, eu tinha ingressos pro Pearl Jam!! Help! Arthur e Amanda choravam, ainda que por razões diferentes: Amanda, porque estava achando aquela a "pior viagem da vida", onde já se viu viajar pra BH onde ela iria ver o tio e o amigo, e chegar em outro lugar onde ela não tem nem tio, nem amigo. O Arthur, por sua vez, chorava de pena desses pais fãs de rock, "mas vocês queriam tanto esse show, não é justo, o que a gente vai fazer em Vitória?!". Pois bem. Não fizemos nada em Vitória, a não ser avisar a quem nos esperava no aeroporto de Confins que, olha, a gente tá em Vitória, que coisa, não? Bom, nem tudo estava perdido. A aeronave foi reabastecida, e logo Confins avisou "pode vir!" - para nosso alívio e o de váááárias pessoas dentro do avião que também iriam ao show; olha que coisa, como tem gente que gosta dessa banda. :-) Enfim. 

Chegamos. Meu cunhado já estava meio verde de tanto nos aguardar no aeroporto, tadinho. Faltava uma hora pro show começar. Confins fica a uma hora de BH. O Mineirão fica a sei lá quanto tempo de onde precisávamos levar as crianças. Olha. Aí começou a segunda parte da emoção. O trânsito. O temporal havia passado, mas a chuva seguia firme e melequenta empatando o bom andamento dos lindos veículos que queriam chegar ao Mineirão. Ou a qualquer lugar na cidade, na real. Por whatsapp recebi os "boletins" de amigos que estavam a caminho do show há horas, presos em engarrafamentos infinitos (eram informações animadoras, tipo "tudo parado"). E nós ainda precisaríamos levar as crianças para a casa de outros amigos antes de seguir para o estádio. Ou seja. 

O que nos salva é que na mesma proporção em que atraio viagens com arremetidas (essa foi a quarta), tenho também amigos que gostam de brincar de anjos da guarda. Minha amiga saiu do conforto da casa dela, numa noite de sexta-feira chuvosa, para encarar o tráfego insuportável e pegar as crianças no meio do caminho e assim aumentar nossas chances de pelo menos ver o bis do show. E assim foi. Entregamos as crianças (Arthur feliz da vida - obrigada pela torcida, seu lindo!), deixamos o carro do cunhado num estacionamento de shopping e pegamos um táxi - não tínhamos mais chance de estacionar no estádio, optamos pelo táxi - já passava das 20h30. Meia hora depois, ainda estávamos no trânsito; por telefone, chegou a notícia: o show tava começando, meia hora depois do previsto, 21h. Próximos ao Mineirão, adivinhem. Tudo parado. Pagamos o táxi e percorremos a pé os últimos metros. Muita gente ainda entrava no estádio, havia alguma fila, mas já estávamos felizes, iríamos ver boa parte do show. Por volta das 21h15, depois de duas arremetidas, uma passada rápida por Vitória, entramos e lá estava Eddie e sua turma e tudo valeu a pena.

Vocês já devem ter lido relatos do show por aí, então nem vou esticar a conversa. Foi tudo aquilo, praticamente três horas de excelente interação com o público, longos recados lidos em português (uma graça), homenagens às vítimas do terrível desastre ambiental de Mariana, lembrança do ataque recente em Paris - com direito a música da Eagles of Death Metal, banda que tocava no Bataclan no dia 13. E, principalmente, muita música boa. Assim: muita. E no fim das contas, foi tudo bom demais. A chuva parou, nós dançamos e celebramos essa banda que já faz coisa boa há mais de vinte anos - e que eu acho a cara do Ulisses. E o Eddie ainda incluiu Black no repertório da noite. \o/

Já perdi coisas mais importantes do que shows de rock por causa do mau tempo em dias de voos meus. De longe piores, sem comparação. Não teria sido o fim do mundo, shit happens. De qualquer maneira, ainda bem, ainda bem, ainda bem que deu. Porque, olha, foi showzaço. 

1 comentários:

Anônimo disse...

Te leio escondidinha. Mas preciso dizer: Que bom que você veio!
e olha, uma baita sorte: A cidade estava completamente parada. Todas as avenidas principais, todas. Moro ao ladinho do Mineirão, e te digo: muita coisa conspirou a seu favor...

 
©A Estrada Anil - Todos os direitos reservados. Layout por { float: left; }