Vaca e outras moças de família - contos da Renata Corrêa


Cabem muitas mulheres nas nove protagonistas dos contos que Renata Corrêa reúne em seu livro Vaca e outras moças de família (Ed. Patuá). Cabem muitas, cabemos todas, porque o olho da Renata é daqueles afiados que pintam bons quadros com a unha descascada, a cinza do cigarro, bexigas estouradas ou a bolsa comprada em Miami. Renata vê longe. E isso por si não bastaria, mas ela pega o que vê e o transporta para a página com a desenvoltura de quem dança muito bem com as palavras.

Eu lia e xingava. Ah, danada, como pode? Em alguns contos, como o excelente "A Memória da Puta", o tragicômico "Descompensada" ou o tocante "Esquisita", experimentei aquele mergulho que nos leva direto pro fundo: li todos submersa, sem renovar o fôlego, como a protagonista de outro, "A Fútil".

Os contos de Vaca acertam nas vozes, nas narrativas, nos diálogos. O tom que surge do mosaico de personagens é a um tempo divertido e feito de angústias, por vezes instigante ou imbuído de forte sarcasmo. Vaca é um retrato que pode ser desconfortável ou bonito, hilário ou dolorido. Há uma festa de mulheres nesse livro que acerta em tudo, do título inspiradíssimo ao ritmo dos textos - todos, para nossa sorte, refletindo o olhar aguçado da Renata. Corram atrás. 




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