Bogotá: queria mais




"... basta mergulhar no centro nervoso da rua Sete com a avenida Jiménez de Quesada, batizado pelo exagero bogotano como a melhor esquina do mundo. (...) A instituição que diferenciava Bogotá eram os cafés do centro, onde mais cedo ou mais tarde confluía a vida de todo o país. Cada um desfrutou em seu momento de uma especialidade - política, literária, financeira - de maneira que grande parte da história da Colômbia daqueles anos teve alguma relação com os cafés. Cada pessoa tinha o seu café favorito, e isso era um sinal infalível de identidade" 


Gabriel García Marquez, em Viver para Contar.



Nós queríamos mais, mas a alteração no horário do voo que saiu de San Andres nos deixou apenas com algumas horas para a capital colombiana antes do retorno para Guarulhos. Então pegamos um táxi e pedimos que nos deixasse entre o Centro e a Candelária, de preferência próximo a um restaurante decente. O motorista, que disse ser natural de Cali e era simpático e falante, nos deixou a alguns metros do La Romana e nos apontou Candelária pra lá, restaurante pra cá. Nos empaturramos de massas deliciosas sem saber que estávamos a uma quadra de distância da tal "melhor esquina do mundo" para os bogotanos da biografia do Gabo. Nossa intenção inicial, após encher a barriga, era visitar o Museo del Oro. Olhamos o mapa, vimos que deveria ser perto dali. Chamada a confirmar, a garçonete gentilmente nos apontou o outro lado da rua. O taxista não sabia, mas nos largou praticamente na calçada do museu que queríamos visitar.

Compramos os ingressos (crianças não pagam) e exploramos sem pressa os três andares principais do museu. Adoramos o acervo, composto por peças de ouro e outros metais trabalhados pelas sociedades pré-hispânicas do território onde hoje é a Colômbia. Para amantes da arqueologia, o museu é um deleite. Para qualquer pessoa que se interessa pela história da humanidade, é um daqueles lugares que nos fazem pensar quão minúsculos e enormes somos ao mesmo tempo - um pontinho de nada na linha do tempo, mas capazes de feitos incríveis. 


Hall de entrada do Museo del Oro.

Amanda em museus: pinto no lixo; fotografa tu-do. Se vocês quiserem espiar o acervo, eu empresto os arquivos da câmera dela. :-)

Um dos destaques do museu é a Balsa Muísca. Não se sabe ao certo quando foi feita, estima-se que date de algum momento entre 600 e 1600 d.C. Representa uma cerimônia de passagem de poder a chefes muíscas. É lindinha demais. Foi encontrada em 1969 por camponeses, dentro de um pote de cerâmica.

Adorei essa linha do tempo dividida por continentes e com a Colômbia em destaque no topo azul.  Entre outras coisas, destaca achados arqueológicos que evidenciam atividades humanas a partir de 15300 a.C. Só aí a gente gasta uma boa meia hora feliz da vida.

***

Com o pouco tempo que nos restou após a visita ao Museu, passeamos por lojinhas de um centro comercial/artesanal e descemos rumo à Candelária. No meio do caminho, paramos para um café no Centro Cultural Gabriel García Marquez onde fizemos duas coisas: tomamos um café delicioso com doces tudibom e visitamos a imensa livraria. Como não falo nem leio em espanhol, não comprei nada, mas babei com força.

Na saída do café, vimos que o pôr do sol estava pintando o céu e tirei o Arthur de foco.



Descemos pela rua da Faculdade de Direito onde o Gabo estudou por alguns anos (detestava o curso e nem concluiu, sabia que seu rumo era outro) e fomos ver a praça, coração histórico de Bogotá. As obras no calçamento ao redor da praça não ajudou nossas fotos, mas quem liga? Tinha uma lhama e Amanda fez a selfie mais feliz.


Amanda, alguns pombos e uma lhama.

***

Com a noite chegando, precisamos pegar um táxi para o aeroporto e encarar o péssimo trânsito da hora do rush. Fomos tagarelando em portunhol fluente com o taxista, falando de nossas impressões e lamentando o pouquíssimo tempo que tivemos para ver a cidade. Vontade de mais, viu. 

1 comentários:

Mi disse...

Que coincidência legal, Rita! Agora em julho também tivemos algumas poucas horas em Bogotá, numa conexão, mas uma mudança no voo nos brindou com 1 horinha a mais na capital colombiana. Nossas horas foram todas gastas na Candelária, e também ficamos com vontade de mais, muito mais...

 
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