A van passou


Nos últimos dias tive a alegria de ver de pertinho a passagem por Florianópolis dos Escritores na Estrada. De repente, entre o verde do quarteirão do lado de lá da rua e a porta da minha casa, sete almas aventureiras saltaram da van poesia e minha calçada ficou colorida-ruiva-arco-íris. A passagem foi rápida, mas os abraços foram bons, foco no que importa. Não pude oferecer muito aos meus visitantes, nada além de crianças barulhentas, um café ou chá quentinho, cachorros fedorentos e wi-fi. Por outro lado, e como o mundo não é mesmo justo, tive a honra de conhecer de uma tacada só pessoas que admiro de longe há tempos, como a Renata Corrêa, a Jeanne Callegari, a Ana Rüsche; conhecer o sorriso da Tarsila Mercer e admirá-la instantaneamente só pela energia boa - depois um pouco mais pela desenvoltura e beleza; e ainda conhecer os meninos da trupe, o poeta Rafael, e Gonzalo e Fred, que registram a aventura. Pude enfim agradecer pessoalmente o Prefácio que Contos do Poente ganhou da Jeanne Callegari, em 2013; e constatar que a Renata Correa é, sim, aquela mulher porreta que desconfiava que ela era.

Na noite de segunda-feira participei com alegria da leitura que eles organizaram na Cervejaria Sambaqui. Na terça, fui conferir a oficina de criação literária do grupo no SESC e fiquei feliz demais pela forma calorosa com que a proposta foi recebida pelo bom público que teve a sorte de estar lá. Entre um evento e outro, mais café, mais barulho, livros. 

Hoje eles partiram rumo a Porto Alegre, a próxima parada da van que parece cinza (mas que é multicor que eu sei). Torço que sejam recebidos com carinho e o reconhecimento que o projeto merece. Para além do que as grandes editoras oferecem no mercado, existe muita coisa boa sendo produzida por excelentes escritores país afora. O projeto Escritores na Estrada dá uma pequena e valiosa amostra disso e aproxima escrita e público da forma mais charmosa ever. Sei que Curitiba, BH e Rio também estão na agenda, torço que a van vá ainda mais longe. 

Agora fiquei aqui com a pilha de livros da cabeceira inflacionada. E com um cachorro cabisbaixo, tadinho, se perguntando a que horas aquele pessoal do cafuné vai voltar. 

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