Bios pra que te quero


Agora que a autorização prévia para escrever biografias não é mais necessária, será que o Roberto Carlos em Detalhes voltará às livrarias? Depois de ter lido O Réu e o Rei, torço que sim, mesmo que eu não tenha lá muito interesse pelo conteúdo da biografia proibida.

Falando nisso, ando de casinho com livros de não-ficção. Desde que 2015 começou, li, entre diários de viagem, entrevistas e biografias propriamente ditas, oito livros/livrinhos/livrões, e menos que isso em livros de ficção. Sejam livros mais "leves" como  Down Under e One Summer, ambos de Bill Bryson, ou textos tocantes como o Diário de Anne Frank, o fato é que relatos pessoais e históricos têm sido meu cup of tea do momento.


O Diário de Antonio Maria (Ed. Civilização Brasileira) veio na onda de bios indicadas por amigos fãs do gênero e me apresentou o cronista pernambucano - me mostrou sua solidão, essa velha conhecida de todos nós, certo? Um diário escrito como tentativa de sinceridade que se interrompe quando o autor percebe que já começou a se pintar mais bonito do que se vê. Tocante e imensamente solitário.

Em seguida me mudei para os EUA do início do século XX (como havia feito recentemente, em One Summer) e dei uma espiada na vida e obra de gente como Frank Sinatra, Mae West, Orson Welles, Hitchcock e o irresistível Fred Astaire, entre muitos outros. Em Saudades do Século 20 (Cia das Letras), Ruy Castro desfila toda sua adoração por esses e outros artistas da época que ele elegeu como uma espécie de Shangri-la das artes. Não precisamos concordar com certos preciosismos (e, cá pra nós, certo pedantismo, mas vai que sou só eu) do Castro para admirar seu texto robusto e cheio de boas histórias. Terminei o livro com uma lista infinita de filmes para ver e me perguntando como cargas d'água ainda não parei pra ver a obra inteira de Billy Wilder (já comecei, by the way).

Aí alguém compartilha o trailler da adaptação para o cinema de A Walk in the Woods e lá vou eu pros braços do Bryson outra vez. Li com mapas do Appalachian Trail abertos, rindo da tentativa de Bryson em cruzar a trilha que corta vários estados da costa leste dos EUA ao longo de aproximadamente 2.200 milhas (mais de 3.500 km). O relato já tem quase vinte anos, mas já estão lá a escrita leve e minuciosa, o detalhamento histórico e as curiosidades científicas que fazem das descrições do autor relatos tão ricos, como aconteceria quase dez anos depois no maravilhoso Breve História de Quase Tudo. O filme traz Robert Redford como Bill e Emma Thompson como sua esposa, além de Nick Nolte como Katz, o companheiro de Bill na empreitada floresta adentro. A ver.

Enquanto o filme não estreia por aqui, abandonei as florestas lá de cima, mudei de continente e voltei pro início do Século XX outra vez. No momento estou na colônia britânica da Rodésia do Sul, atual Zimbábue; o ano é 1924 e acompanho a infância da escritora Doris Lessing. O primeiro volume de sua autobiografia, Debaixo da Minha Pele (Cia das Letras, trad. Beth Vieira) começa com referências a seus tataravós no século XIX - e acho tão bacana conseguir traçar assim a linhagem de nossas origens, os pedacinhos do que somos sendo desenhados ao longo dos muitos anos que não testemunhamos - e segue, segundo informa a orelha do livro, até 1949, ano em que ela se muda para Londres. Depois volto aqui para falar de minha impressões; por enquanto, estou devidamente fisgada.

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Dicas de biografias: muito bem vindas, aqui ou lá no face. ;-)

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