The Shapes and Colours of Beauty



Nosso último final de semana em Sydney foi premiado com muito sol e eventos esportivos animando os australianos (copa asiática de futebol e finais do Aberto de Tênis em Melbourne, além de umas paradas tais de cricket e rugby – não me perguntem, não sei pra onde vão). Com um céu azul lindão, corremos para Circular Quay na manhã de sábado. O cais estava vibrante, com os habituais navios imensos de cruzeiro, veleiros e balsas pintando a baía, e muitos australianos vestidos com a camiseta da seleção de futebol misturando-se aos turistas deslumbrados com um dos cenários mais lindos da cidade. Olha que lindo mesmo:

:-) Né?


Tínhamos destino certo: visitar a Opera House e conhecer um tiquinho da história desse prédio fascinante. Agendamos um visita guiada para o início da tarde e almoçamos em um restaurante no cais mesmo, com a Harbour Bridge de cenário. A comida estava boa, o vinho era decente, mas o bom mesmo era o visual.



Cinco minutos antes do encontro marcado no térreo da Opera, um grupo de cerca de quinze turistas seguiu com outra guia. Sorte nossa, fomos os únicos visitantes do horário e seguimos pelo interior do prédio com uma guia só pra nós. Durante uma hora, subimos e descemos escadarias, visitamos salas de concerto e conhecemos histórias sobre a construção do prédio, com seus dramas e curiosidades.


Então aprendemos que em 1957 um concurso para selecionar o projeto do futuro centro de artes de Sydney registrou 232 inscritos. O vencedor foi o inusitado desenho do arquiteto dinamarquês Jorn Utzon. O que o projeto prometia em beleza garantia em complexidade, e a jornada de sua execução durou 14 anos. Quando a Opera foi finalmente inaugurada pela rainha da Inglaterra, com pompa e circunstância, em 1973, Utzon já havia se afastado do projeto por pressões políticas às quais se recusou a ceder. Em meio a muitas controvérsias envolvendo os custos da obra, o tempo de execução, soluções que ninguém encontrava (por exemplo, toda a parte de alicerce e base do projeto foi construída sem que os engenheiros tivessem a mais remota ideia de como conseguiriam erguer as famosas “velas” da Opera), o novo governador de New South Wales deu um ultimato a Utzon: ou ele aceitava integrar um grupo de outros arquitetos para tentar agilizar a construção, ou teria que se afastar do projeto. A decisão de Utzon foi voltar para a Dinamarca. Ele não compareceu à inauguração e jamais pôs os pés em Sydney outra vez. Quase chorei quando a guia nos contou isso, mas ela me consolou dizendo que ele voltou a trabalhar com a Opera anos depois, coordenando da Dinamarca projetos de espaços internos da casa, depois de pronta e já em funcionamento. :-/

A visita guiada nos levou às principais salas da Opera. Nossos queixos caíram na maior delas, o Concert Hall, com seus 2.679 lugares, seu gigantesco órgão, sua imensidão. Uma pena que a programação desses dias não incluísse nada que julgássemos adequado ao Arthur e à Amanda, chuif. Pelo menos aproveitamos o que o público normalmente aprecia nos intervalos dos concertos e shows, a vista espetacular da baía que a varanda de vidro oferece. 


Se eu soubesse como, explicaria a vocês tudo sobre as soluções encontradas por Utzon para a construção das "velas". Pergunte ao seu arquiteto mais próximo.

A vista que a plateia tem nos intervalos.

Para onde quer que se olhe.


Saí da Opera House mais feliz do que entrei.

***

De tanto olhar para a baía, fomos a ela. Pegamos a balsa rumo à praia de Manly, aproveitando as longas horas de sol dos dias de verão. Uma última olhadinha para ela, os muitos veleiros – tudo muito bom, não fosse a balsa balançando um pouco mais do que eu gostaria.






Para meu alívio a travessia é curta e em 30 minutos estávamos na praia, com o Oceano Pacífico diante de nós - e olha que pacífico.

"Tubarão avistado hoje - entre na água por sua conta e risco" - simpático.


Mas tava lindão.



E deixou todo mundo animado.






E com cara de “gosto daqui”.




E as férias vão passando. E Sydney vai ficando cada vez mais em nossas cabeças e corações. Tão bom ver que o mundo é bonito em tantos tons e distâncias. Bom demais.  

1 comentários:

Marcia disse...

Muito bom demais mesmo. E suas crianças naquela idade de guardar memórias de férias inesquecíveis, tudo é tão precioso! Beijos e bom finzinho de férias pra vocês.

 
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