The million shades of the blue Pacific


Comentamos com duas moradoras de Sydney que iríamos visitar Bondi Beach. As duas nos disseram a mesma coisa: não deixem de fazer o passeio a pé entre as praias Bondi e Bronte. Fomos e ficamos com vontade de abraçar as duas. Melhor. Passeio.
A gente não tem visto muita coisa feia nessas últimas semanas, mas dessa vez foi um exagero. Se eu fosse dar uma (ou duas) dicas a alguém prestes a visitar Sydney diria, em primeiro lugar, o óbvio Circular Quay, com a baía pintada de veleiros coroados pela maravilhosa Opera House; e, em segundo lugar, com mais entusiasmo, o passeio a pé entre Bondi e Bronte. Provavelmente eu diria: vá, vá, vá, é lindo, promete que vai?
Pegamos o ônibus no parque em frente ao hotel e seguimos até Bondi Beach. A praia já é bem bacana, com uma faixa de areia extensa e limpíssima, um marzão lindo de águas verdinhas.
 
 
 
Havia pouca gente na água, na areia uma placa indicava correntes perigosas. No calçadão em frente à praia outras placas indicavam as regras para os surfistas, o caminho a seguir para chegar a Bronte, além das temperaturas do ar e da água, velocidade do vento, essas coisas. Lá fomos nós rumo a Bronte, enquanto as gaivotas descansavam.

 


 

O tal caminho é na verdade uma trilha com calçada, corrimão e degraus onde necessário, que facilitam muito a vida de quem quer seguir margeando os penhascos e as formações rochosas entre as duas praias. A cada passo eu queria parar e admirar aquele oceano sem fim em tons de verde e azul, as ondas assustadoras lá embaixo quebrando nos paredões de pedras. Por cerca de dois quilômetros, fotografei como louca, ou simplesmente paramos todos e nos entreolhamos felizes e gratos por tanta beleza. É lindo, meu povo.

 
 
 
 
 
 


No meio do caminho, a minúscula Tamarama Beach. Minúscula não quer dizer sem estrutura.  Coladinha na faixa de areia, um vasto gramado tem quiosques abrigados para aquele lanchinho básico, um playground que as crianças não queriam deixar pra trás, banheiros com chuveiro e dressing room, e, para os mais animados e farofeiros, dois fogões-churrasqueira. Por todos os lados, sinalização sobre o uso consciente da água e do espaço público. É proibido fumar na praia, e bebidas alcóolicas são proibidas inclusive nos quiosques. Uia.

 

Tamarama Beach

Depois de um tempinho, arrancamos as crianças do playground e retomamos nossa caminhada. A essas alturas eu nem fotografava mais, só olhava todo aquele azul maravilhoso. Logo chegamos a Bronte. Como se já não estivesse bom, descobrimos que no canto direito da praia há uma piscina natural. Suspeito que se não fosse assim, ninguém teria colocado os pés na água. O mar estava violentíssimo e aparentemente só surfistas com alguma experiência se arriscavam naquela loucura. Lindo, mas, para mim, assustador.
 
 
 
Balde de gelo com duas pedrinhas.
 
 
Almoçamos uma comidinha deliciosa num pequenino restaurante com cara de birosca, e depois lagarteamos sob o sol da tarde. Não sei como as crianças suportaram a temperatura da água – geladérrima; eu não quis conversa e fiquei na areia admirando esse mundão.

A estrutura de Tamarama se repete em Bronte, e ainda descobrimos que o playground de lá deixa o de Tamarama no chinelo. Ou seja, não reclamamos de nada nessa vida. (Tudo bem, as crianças reclamaram quando anunciamos a hora de voltar para o hotel, mas adormeceram no caminho, exaustas. Vou reclamar por esporte, na sexta-feira; hora de voltar para casa. Provavelmente adormecerei no caminho, feliz.)
 
 
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