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Voltamos. A volta nos pareceu mais longa do que a ida, talvez porque o entusiasmo para iniciar três semanas de férias seja maior do que aquele que antecede vários meses de aulas e trabalho. Jura? Agora, no entanto, com as aulas a todo vapor, o Arthur parece tão animado quanto esteve nos dias pré-Sydney. As novidades do quinto ano, o pátio da escola com os amigos, tá tudo no lugar. Amanda já regulou o sono - rolou um jet lag básico no primeiro dia de aula e às quatro da manhã ela e o pai batiam papo na cozinha - e agora contabiliza novidades do terceiro ano. O trabalho já me engoliu e ainda nem consegui ir ao supermercado. Ainda bem que tem pão.

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Sydney certamente não resume a Austrália, mas funciona como excelente cartão postal do país. Voltei com ótimas impressões, ainda que tenha me surpreendido em alguns aspectos. Não esperava tanta pimenta na comida, hohoho. Certamente não esperava tantas pessoas dormindo pelas ruas. Estando o país sempre nos topos dos rankings de IDH, a visão constante de pedintes fisgou minha atenção. As matérias na TV e nos jornais sobre violência doméstica também me surpreenderam, mas me faltam números para, por exemplo, ter alguma ideia de como os índices de lá se comparam aos do Brasil. (Falando nisso, hoje li uma matéria sobre o novo recorde na taxa de homicídios de lá: o mais baixo desde que começaram os registros no final dos anos 80; invejei.) Também não contava com vários dias de chuva no meu verão, mas as capas de chuva estão aí para garantir a alegria do turista incansável. E definitivamente não esperava comer um troço tão ruim como o vegemite.

As boas expectativas foram todas confirmadas e superadas de longe. A cidade é linda até não poder mais, seus parques e jardins me fariam feliz por muitas infinitas horas, a bicharada esquisita é tudo de bom - com aranhas e cobras a uma distância segura, of course - e suspeito que poderia me sentar numa mesinha em Circular Quay para observar aquela baía sem nunquinha reclamar de nada na vida, por muitos e muitos anos. Sem falar que é sempre uma alegria circular por cidades que dispõem de um bom sistema de transporte público, quesito em que Sydney certamente se destaca fácil em qualquer disputa - mesmo que o metrô não cubra boa parte da cidade, os excelentes ônibus dão conta do recado com louvor.

Ulisses disse que dificilmente voltaria para novos passeios na Austrália, já que vai ser longe assim na China. Ao mesmo tempo, elegeu Sydney como cidade mais bacana do pedaço, qualquer pedaço. Olho pra ele e canto "Melbourne, quem sabe..." Vamos observar. Mas só depois que eu me esquecer de tantas horas de voo. Socorro, não quero ver um avião tão cedo, credo. 

Resumo da ópera house: gostei com força. Melhores férias, ieba.


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Eu trouxe um pedaço de lá comigo: estou dando minhas risadas com os relatos do Bill Bryson em Down Under (Ed. Black Swan). Quer dizer, estava. Ainda não consegui voltar ao livro desde que a segunda-feira me deu um choque de realidade-correria. Mas logo me encolho dentro do livro outra vez, o Carnaval vai bombar no meu sofá. (Em tempo: adoro o Bryson, mesmo. Ainda assim preciso dizer que aqui e ali em Down Under ele me dá a impressão de que tá fazendo força para parecer engraçado e erra um pouco a mão. Mas é só aqui e ali. Na maior parte do tempo, ele é o bom e velho Bill.)

Antes disso, em algum ponto entre o Oceano Índico e o Atlântico, terminei de ler Dezoito de Escorpião, do Alexey Dodsworth. Achei a história interessante - o fato de seu maior turning point ser bem previsível não me tirou o barato. De uma maneira geral, gostei, apesar de minha limitadíssima carga de leitura no ramo me impedir de tecer comentários mais relevantes sobre a obra. Se serve de sinal, o livro me deixou com vontade de ler mais sci fi. Isso deve ser bom.  
  

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