The sun is back in town


Certa vez li que Sydney é uma cidade de pouca chuva, coisa de alguns poucos dias por ano. Se for verdade, os dias de chuva de 2015 se concentraram todos nessa semana. Tivemos três dias de chuva, vento e temperaturas bem abaixo do que tínhamos em mente quando arrumamos as malas. Nem sempre chuva forte, mas chuva fraca também avacalha planos de andarilhos que viajam com chinelos e camisetas. Só nos restou apelar para capas de chuva e uma sombrinha comprados a contragosto. Calçamos tênis, vestimos as roupas mais "quentes" de que dispúnhamos e fomos passear mesmo assim.

No primeiro dia, encaramos a muvuca de Circular Quay para os festejos do Australia Day. A baía estava lotada de barcos enfeitados, com seus tripulantes animados e orgulhosos gritando aussie aussi aussie. De vez em quando a chuva dava uma breve trégua e nos divertimos entre os desfiles das embarcações e passeios nos arredores da Opera House. Tudo teria sido mais brilhante e colorido se o céu estivesse azul, certamente, mas concordo que esse povo aqui gosta mesmo de festa e o negócio funcionou mesmo com o tempo horroroso. 

A terça-feira amanheceu pior do que a segunda e sacamos da manga um dos passeios que havíamos reservado para dias de eventual sol escondido. Passamos o dia enfiados no Australian Museum, localizado na mesma rua do nosso hotel. Gostamos desse museu não muito grande, mas bem estruturado e com boas atrações. As crianças se divertiram no Planet of Minerals com as coleções de pedras e meteoritos; também me divirto vendo como nosso planeta é colorido por dentro. Na seção da bicharada, as temidas aranhas australianas roubam a cena- o museu tem exemplares bem vivos que me deram arrepios por horas, uiiiiii (Amanda me chamou de madrugada para ver se não havia nenhuma aranha na cortina do quarto, que divertido). 

A ala dedicada à história e cultura dos povos aborígenes é uma das melhores do museu, mas não despertou muito interesses das crianças. Depois de um lanche horroroso na cafeteria, curtimos o melhor: a exposição temporária sobre os Astecas. Enquanto Ulisses e eu fuçávamos os objetos, vídeos e textos da exposição, Arthur e Amanda se esbaldaram com um quiz interativo, carimbando símbolos astecas em álbuns coloridos - suspeito que não aprenderam uma linha sobre povo nenhum, mas adoraram a exposição mesmo assim e saíram de lá dizendo que voltariam no dia seguinte para "mais Astecas".

Ontem, no final do dia, o sol voltou e hoje fomos pro mundo outra vez. Passamos o dia espoletando por Darling Harbour.

Sunny day, happy day.

Li que Darling Harbour abrigou o terminal internacional de carga da região e manteve sua vocação industrial por muito tempo. Depois amargou anos de abandono até ser revitalizado para o turismo e  o comércio que vem junto. Hoje tem vários museus, inúmeras lojas e restaurantes, parque infantil, um jardim chinês (que ainda vamos visitar) e o charme da marina e das pontes. É uma região bonitinha demais e ganhou minha simpatia imediatamente.

Mas nosso negócio é bicho e lá fomos nós para uma das atrações de Darling Harbour, o Aquário de Sydney. Passeio meio obrigatório para quem traz crianças a Sydney, o Aquário acaba agradando todo mundo. Tudo bonitinho, mais do mesmo: tanques lindões, bichos esquisitos, caranguejos gigantes, todo tipo de estrelas-do-mar, águas-vivas incríveis, criaturas fascinantes e tal. Mas aquário em Sydney tem ornitorrinco. 
:-)   

Animadíssimo, bem mais do que o exemplar preguiçoso que tínhamos visto no Taronga Zoo, esse moço me permitiu algumas fotos, todas horríveis, porque ele é um exímio nadador. Vai essa, melhorzinha, pra vocês. Olhem bem, juro que é um ornitorrinco - a prova viva de que esse mundo é muito estranho. 

Criatura bonitinha, uma entre tantas.

Tudo já estava muito divertido até que chegamos ao ponto forte do Aquário, seus túneis submersos. São quatro túneis construídos abaixo do nível da baía que deixam a criançada em polvorosa. Mesmo sabendo que o Aquário controla a população animal daquela parte da baía, a sensação de descer abaixo da superfície para ver a bicharada no mar é uma delícia. Ter os peixes, arraias, tubarões, todos nadando sobre nossas cabeças é divertido demais.
   
Dá até pra dar uma checada básica na dentadura dos tubarões. 



Depois dos túneis submersos, as crianças se divertem com um aquário virtual onde os peixes pintados por elas são escaneados e viram atração. :-)


Achei! - Há ainda uma pequena amostra da vida na Great Barrier Reef, com muitas anêmonas e bichos típicos dos famosos corais da costa australiana.

***

Almoçamos e lá fomos nós para o Wildlife World, um pequeno zoológico dedicado à vida selvagem australiana. Para quem gosta de répteis, é o lugar. Vimos a cobra mais venenosa do mundo, a taipan, além de várias outras, imensas, lindas, arrepiantes. Elas, as aranhas, também estão lá, claro. Esquisitas, espertíssimas, cheias de pernas e veneno, um horror. Fascinante, mas longe de mim, please. Para compensar tanta peçonha, toda a fofura do mundo. Diferente do Taronga Zoo, aqui os coalas estavam acordadíssimos, mastigando como se não houvesse amanhã. Cheguei a flagrar um animado salto entre árvores, o que deve equivaler ao grau máximo de animação na vida inteira de um coala. Depois eles se aninharam e dormiram, como fazem por aproximadamente vinte horas por dia. 

Hi, mate!

Sou bonito?

Agora deu.

E esse é o novo concorrente no coração das crianças, o marsupial Wombat. 
Coisa. Mais. Linda.

***

Passamos o final da tarde perambulando pelas lojas de Darling Harbour - morri de amores por uma casa de chás - e lamentando o Jardim Chinês fechado àquela hora. Certamente voltaremos para explorar mais essa região gracinha da cidade. Aí quem sabe consigo acertar nas fotos das fontes, sem cortar nenhuma cabeça. 

(Essa é a melhor foto; existem ainda as versões "total fora de foco" e a "somente água".) 

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