Minúscula retrospectiva do meu minúsculo mundo


Em 2014: 

Janeiro - li como quem reza. 

Fevereiro - fiz o que achava que nunca faria: fui à Disney e me esbaldei. Elegi o outro parque, da Universal, como detentor do melhor brinquedo do mundo - o simulador da batalha com Harry Potter - e vi que a cidade de Orlando não me interessa, mas que se brincar com as crianças no tapete da sala já tem seu valor, voar com eles ao lado do Harry Potter é melhor do que picolé de amora. Foi bom, foi bom. A companhia, claro, foi o melhor de tudo. 
Fevereiro teve lançamento de Contos do Poente no Rio e em Sampa; teve Mia Couto e Virginia Woolf em minha cabeceira.

Março - li Grande Sertão: Veredas foi como um longo abraço - "Tem horas antigas que ficaram muito mais perto da gente do que outras, de recente data. O senhor mesmo sabe." Fui a Campina Grande para lançar Contos do Poente por lá.

Abril -  Valter Hugo Mãe na cabeceira; Gabo foi embora; escrevi saudades.

Maio - outono de recolhimento. Tezza, Blum, Fante - nem tanto, nem tanto. Escrevi cartas que nunca responderei.

Junho - teve Copa, né. E longos dias curtos de inverno.

Julho - a sala, a cozinha, o piano. Chimamanda Adichie em minha cabeceira me acordando de muitas maneiras. Half of a Yellow Sun é um livro para me tornar a chata que insiste: leiam, leiam, leiam. 

Agosto - fui ver Nicolelis; revelei minha identidade secreta; li Valter Hugo Mãe mais uma vez, algo que pretendo fazer again and again and again.

Setembro - o piano, a estante, a tela vazia. 

Outubro - acampei com o Ulisses e as crianças pela primeira vez. Definitivamente, diversão nível master. Nossa incompetência para conciliar disponibilidade com boa previsão do tempo nos impediu de repetir a dose e agora estamos evitando o programa em época de acampamentos lotados; mas logo a alta temporada passa e vamos pro mato outra vez. Inesquecível dormir sob a tempestade protegidos pela barraca e bons pensamentos. Mostrar a escuridão da mata às crianças, pisar na areia da praia com lanternas na mão. Ponto alto de 2014 no quesito diversão, eu diria; adoramos. 
Outubro também teve eleições e o combo completo de intolerância, certezas e arrogâncias; teve o voto no menos pior; mas também teve a reflexão e a alegria, ainda bem, de (re)descobrir vozes sensatas em nossas redes. Nem parece, mas teve amor no pacote.

Novembro - as crianças tiveram sua estreia de gala em estádios de futebol.

Dezembro - voltei ao Nordeste, revi amigos que amo demais, comi canjica fora de época. E me despedi do ano com o pé na areia e passagens compradas para ver o mundo de outro ângulo. Conto já.

***

Foi um ano de filmes velhos com as crianças, uma forma de abrir a janela do muro lá de trás e espiar de novo. ET, Jurassic Park, Back to the Future. Parece que só dava Spielberg em minha infância e adolescência.

Foi um ano de jogos de tabuleiro, muitos. Shadows over Camelot e Ghost Stories nos lançaram no mundo dos jogos cooperativos. Ticket to Ride, o bom e velho Colonizadores de Catan, Pillars of the Earth e mais recentemente o Stone Age entraram para nossa lista de boas opções para tardes chuvosas de domingo.

A gente perdeu tanta gente boa no mundo das artes. Um ano de sentir saudades de pessoas com quem nunca nos sentamos para um café, mas com quem dividimos tanto mesmo assim. Quem foi mesmo que disse que a vida sem arte não faz sentido? Concordo demais.

2014 foi um ano de muitas idas aos Correios para enviar Contos do Poente para o Brasil inteiro. Espero continuar nessa deliciosa tarefa em 2015. Obrigada demais.


***

2015 já chegou me ensinando a carregar malas mais leves. De tão leve, espero voos no final do período. Feliz ano novo, povo.


4 comentários:

Anônimo disse...

Obrigada pelos seus textos, Rita. Eles fazem meu dia mais doce. Feliz 2015 pra você e os seus.
Bjs,
Felicia

Sílvia disse...

Feliz Ano novo Rita!
Tudo de bom neste novo ano com muita saúde e amor!

Luciana Nepomuceno disse...

Mais um ano em que li você <3

Angela disse...

Feliz Ano Novo amiga! Voces nos ajudaram a abrir e tambem fechar 2014 com chave de ouro. Mil beijos e, ai, as saudades...

 
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