Longe


Estou saboreando meu guia de viagem, lendo aos poucos retalhos sobre os costumes dos aborígenes que já ocupavam suas terras há milhares de anos; lendo pedacinhos da história da colonização inglesa, da corrida pelo ouro e o rápido enriquecimento; um pouco sobre as crises mundiais e as levas de imigrantes para aquelas bandas. Aí fico agitada, largo o guia e vou para o mapa do mundo e vejo, uau, que longe. Mais longe do que o Japão. Mais longe do que o lugar mais longe que jamais fui. Um país imenso, queria todo pra mim. Mas não, por enquanto. Por enquanto, uma cidade só, com a empolgação que daria para o deserto inteiro e para a barreira de corais que não visitaremos. Por enquanto. Dessa vez, apenas Sydney. Não: dessa vez, Sydney, toda nossa. Contando os dias para cruzar o planeta com meu trio rumo ao país que quero visitar há tanto tempo. Eu curto essa fase pré-férias tanto quanto as próprias férias. Ler o guia é como estar lá, já. Um pouco. Já me vejo dobrando aquela esquina para chegar naquele parque, como não?  Vamos à caça do pacote completo: sotaque estranho, gente sorridente, coala, canguru, ornitorrinco, baía linda, sol. Vamos usar calçados confortáveis e virar aquela cidade do avesso, ah, vamos.

O blog anda silencioso, mas vocês sabem que gosto de transformá-lo em diário de bordo de vez em quando. Até fevereiro, pretendo ver o mundo do lado de lá, com jet lag e tudo. Sejam pacientes, juro que depois mudo de assunto ou me calo outra vez. Por ora, aussie, aussie, aussie! :-) Austrália, aí vamos nós. \o/ 

***

Quando estudei em Londres, uma encarnação e meia atrás, conheci um casal de australianos com quem viajei pela Europa. Juntos bebemos muitas bebidinhas em países vários, rimos de tudo e comemos comidas esquisitinhas; depois vimos o verão chegar à Inglaterra sentados numa mesa qualquer em uma calçada qualquer de um pub qualquer no bairro londrino de Fulham. Quando voltei para o Brasil a amizade resistiu até eu trocar de endereços demais ou o assunto acabar, não sei o que veio primeiro; sei que as cartas começaram a rarear (a internet já existia, mas nós trocávamos cartas de papel mesmo, coisa boa) e um dia não chegaram mais. Enquanto passeava com eles pela terra da neblina conversávamos sobre tudo. Ela era fisioterapeuta, ele, arquiteto. Estavam casados há pouco tempo e morariam em Londres enquanto desse na telha antes de voltarem para a longínqua Austrália. Eram um casal simpaticíssimo, espero que estejam juntos até hoje e que ainda se divirtam. Uma das coisas engraçadas sobre aqueles dias era o fato de que eu não entendia uma palavra sequer do que o Mick - ele se chamava Mick - falava; o sotaque australiano é conhecido por sua, digamos, estranheza para quem está mais habituado às nuances do inglês americano ou britânico, mas até que eu me virava bem com os australianos com quem joguei conversa fora naqueles meses - menos com Mick. Nossa conversa era sempre intermediada pela Kym - ela se chamava Kym - cuja fala eu entendia perfeitamente. Eu queria ter guardado as cartas; talvez com o sobrenome eu conseguisse encontrá-los na rede nesses tempos de todo mundo online. Iria pedir para que eles botassem um lencinho na janela e acenassem na minha chegada, quem sabe. :-)

Resta-me torcer para que todos os australianos de Sydney falem como a Kym. 

4 comentários:

Marcia disse...

Boa viagem, divirtam-se bastantão! Em Sydney só conheço um endereço: "P. Sherman - 42 Wallaby Way, Sydney" (Amanda deve saber também)

Rita disse...

Ounnn, que ótima lembrança, vou rever Nemo com eles antes de viajar. Obrigada!! ❤

Clara Lopez disse...

Boa viagem, Rita, virei passear aqui ao longo dela.

Sílvia disse...

Boa viagem, e tudo de bom :)
Fico á espera de poder viajar também através das suas palavras, bjo

 
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