Lado B


Uma amiga no Face sugeriu que eu provasse vegemite, outros me disseram que não tinham gostado da "iguaria" e que eu deveria provar apenas para saber quão ruim é o negócio. Bom, curiosidade matou o gato e pus uma pequena quantidade na pontinha do pão. Gosto é como nariz, então falo só por mim, claro. Não é que seja ruim, simplesmente. É a pior coisa que já provei na vida. Algo como ferrugem extremamente salgada e rançosa, dotada da irritante propriedade de se prolongar na boca da gente - sabe quando você engole uma coisa, mas o sabor continua ali? OLHA. Ulisses provou e assinou embaixo, com a mesma careta. Idem para o Arthur. Amanda, como de costume, preferiu não se arriscar. Para vocês terem uma ideia do efeito vegemite em minha família, ontem Amanda perseguia Arthur pelo parque fingindo apontar para ele a terrível ameaça:

- Isso é um pote cheio de vegemite!!!
- Socoooorro!!

Agora há pouco, vendo a chuva cair lá fora e ameaçar nossos planos para o feriado do Australia Day, as crianças "rezavam":

- Se o sol voltar, como uma colher de vegemite!

Haja sacrifício. 

***

Enquanto a chuvinha molha a rua, vemos o jornal na TV. A cada ano, em 26 de janeiro, os australianos celebram a chegada dos britânicos em 1788. Como parte das celebrações, premiam personalidades que atuaram em diversas áreas no último ano, como medicina, artes, educação, comércio. No jornal da manhã, vimos a premiação de Rosie Batty por sua atuação no combate à violência doméstica. Rosie perdeu seu filho de 11 anos de idade em fevereiro do ano passado quando o pai da criança o atacou com um taco de cricket. Por causa das notícias em torno da premiação, fiquei sabendo que a Austrália vive o que Rosie chama de epidemia de violência doméstica, e que essa seria a grande vergonha nacional. Não li outras fontes, mas na entrevista que vi com Rosie os números são mesmo alarmantes: uma em cada três mulheres e uma em cada quatro crianças experimentariam algum tipo de violência doméstica na Australia. Lado B lamentável. E eu achando que o problema do país era o vegemite.

***

Então chove. Depois de quatro dias de muito sol, no dia em que a baía de Sydney estará repleta de embarcações enfeitadas, no dia da corrida de caravelas (!), no dia dos picnics em frente à Opera House... chove. *suspiros*

***

Ontem andamos sem rumo por aí. Passamos pelo Chinatown, pelo mercado de peixes, por praças mais escondidas, parques mais afastados do Centro. Vimos muitas barracas, certamente de moradores de rua. Pegamos um trem e cruzamos a Harbour Bridge, demos uma espiada em bairros do outro lado da baía. Depois voltamos "pra casa", almoçamos nos arredores do hotel, curtimos o final do dia no "nosso" parque - tudo pegando leve e descansando dos dias anteriores, e nos preparando para as celebrações de hoje. A poucos metros do hotel há um palco montado para a programação infantil do evento. Aí chove. 


2 comentários:

Amanda disse...

A-há! Exatamente como eu me senti! A pior comida do mundo, um gosto que fica na boca e uma lembrança que cada vez que aparece dava vontade de vomitar. Mas quando contava dessa experiência para os australianos eles sempre perguntavam: mas vc comeu direito? Tem que passar bastante manteiga no pão e depois uma fina camada de vegemite em cima. Olha, não sei e não queria saber e não pretendia nunca mais comer aquele troço. Apenas hoje, dez anos depois, é que penso que estou destraumatizando. :p

Pena que a chuva estragou os planos. Ai, Austrália é tão legal! Pq fui embora mesmo, heim? Beijos!

Amanda

Rita disse...

Oi, Amanda. Espero que meu "trauma" de vegemite não dure tanto, hehe. Ontem vi uma mulher se servindo com uma generosa porção do troço e, olha, fiquei de cara. :-)

Beijocas!

 
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