Sand, (no) wind & rain


Meus planos para atividades indoors durante o fim de semana foram declarados mortos e enterrados na manhã de sábado. Arrumei mochilas pensando nas coisas que não faria: não iria ler ou escrever, não iria praticar piano, não iria me jogar no sofá, não iria levar o filho para a festa de aniversário do amigo, não iria jogar Catan, não iria, não não não. 

- Mas para onde vamos?
- Pra praia.
- Que praia?
- Não sei o nome. Barra de alguma coisa. Vai ter vento.
- Como é o nome da pousada? Fica em que município?
- Oi?
- Deixa pra lá, vou arrumar as mochilas.

Enfim, arrumei, desmarquei o que precisava desmarcar (conversei com o sofá e tal) e fui. Por trás do alvoroço (vamos, vamos, vamos), é preciso que se diga, está o kitesurf. Meu marido descobriu a maravilha de se deixar arrastar sobre as águas puxado por uma pipa gigante. Agora vive de olho na previsão do vento. Imagino que o negócio seja mesmo muito bom, a julgar pelo brilho no olho que ele traz pra casa quando volta.

Eu adoraria mostrar fotos bem legais do velejo de ontem e de hoje. Infelizmente, fica pra próxima. Foi só a gente chegar na pousada para o vento morrer. Só nos restava comer loucamente até que o dia seguinte trouxesse a ventania esperada. Com sorte, as crianças poderiam soltar pipas e os cinco adultos que praticam kite no grupo se jogariam na água. Não foi o barulho de vento que nos acordou, no entanto, mas o da chuva que caiu sobre nossas cabeças durante praticamente todo o domingo. Nada de vento. Só nos restava comer mais, jogar mais conversa fora, dar uma caminhada na areia nos intervalos da chuva. Com companhia boa, todo passeio pode ser bom - grande verdade. E assim foi. 


Fim de tarde, pé no mundo.

A menina que catava conchas.

Arthur pedindo pra mergulhar na água gelada, Amanda procurando conchas, Ulisses pensando "não vai ter vento".

À noite, Amanda fez novas amizades na praia.

A beleza,

...a beleza.

Pequenos chiliques de olho no farol


Ainda que a segunda parte do livro se chame O tempo passa (e, portanto, novidades no enredo sejam naturalmente esperadas), não antecipei o que viria na metade final de Ao Farol. Quando cheguei ao capítulo IV dessa fase do livro, um pensamento me ocorreu: de que natureza teria sido a relação que a tradutora travou com o texto de Woolf para tecer essas duas pequenas páginas tão... lindas? Não que se trate de algo avassalador; falo daquela beleza miúda que perpassa as frases de um texto quase musical, daquelas descrições cheias de delicadeza que nos levam a assistir, enquanto lemos, ao quadro se formar cheio de cor à nossa frente. 

E então me lembrei que a Denise havia compartilhado no Facebook o blog que ela manteve enquanto traduzia To the Lighthouse. Corri lá (repleto de spoilers, não vá se isso incomoda você; de minha parte, fiquei feliz por não ter acessado o blog antes de chegar à segunda parte do livro). Tive pequenos chiliques ao ver que Denise destacou trechos dos terceiro e quinto capítulos de Time passes, mas não do quarto, daquele que acabara de me deixar meio inebriada. :-) Não esperava nenhuma revelação surpreendente; foi tão somente um daqueles momentos solitários de leitora, quando queremos ter alguém ao nosso lado para cutucar e dizer "escuta isso, que lindo!". Ou queria, talvez, ver no blog da Denise exaltações àquelas duas páginas para que eu pudesse falar, ainda que sozinha, "I know, I know!". 

Corri os olhos pelas postagens e voltei às páginas em minhas mãos. Avancei degustando devagar e com cuidado as frases que descrevem os estampidos abafados da guerra perturbando o silêncio daquela casa. Reli alguns capítulos com medo de que o tom do livro mudasse. Fiquei ali, feliz.

Este post é um oferecimento da minha, da sua, da nossa empresa Leitores Deslumbrados Corporation.

Cortes


Ontem, na academia onde minha filha faz natação, apoiei a mão no batente da porta para dar uma espiada no ambiente das piscinas e ver se ela ainda estava lá ou se já havia se encaminhado para o chuveiro. A porta de alumínio bateu e mordeu meu dedo médio da mão direita, abrindo dois buraquinhos. 

À noite, escolhi a melhor faca para cortar tomates e abri um talho no polegar da outra mão. 

Mas isso não foi nada. Pior foi procurar o leque que era da minha mãe e não encontrá-lo. Não sei onde está, não faço ideia. Isso sim, tá doendo como um corte fundo. Não acredito que perdi esse leque e não há band-aid que me console.

***

Estou iniciando os preparativos para o lançamento de Contos do Poente em Campina Grande. Se tudo correr bem, será em março, dia 14. Mal posso esperar.

***

Para manter alguma dignidade durante o verão, preciso dedetizar a casa todos os anos. Quando as temperaturas começam a subir e as baratas começam a enlouquecer, ligo pra galera do veneno e mando ver. Todos ficam felizes: eu garanto parte da clientela da empresa de dedetização, não fico pelos cantos da casa tendo sustos pavorosos e as baratas... bem, quem mandou nascer barata. A natureza, contudo, dá seu jeito para o bem e para o mal. Esse povo cascudo deve estar ficando mais resistente. Ulisses diz que não, que tá tudo certo. E pergunta:

- É claro que de vez em quando uma ou outra barata vai entrar na casa. Entram e morrem. O que você queria? Que elas se desintegrassem quando se aproximassem? 
- É ló-gi-co!!

Poderia ser melhor, elas poderiam nem chegar perto do bairro. As formigas, então, ah. Essas não só ignoraram a dedetização como chamaram as amigas. Foi só o moço dar as costas e todas as formigas do sul do país encontraram o meu pote de mel.

O reforço a que tenho direito já foi acionado. Oremos. (O povo da empresa jura que o produto é amigo da natureza - a natureza boa, não me venham defender as baratas. Eu acredito, porque preciso.)

Para completar a alegria, enquanto eu corto os dedos, Florianópolis resolveu brincar de cortes no fornecimento de energia. As luzes se apagam, o ar condicionado dorme, o calor aumenta, o marido abre a sacada, eu grito que as baratas vão entrar, o marido fecha a sacada, e derretemos até que a energia elétrica volte a nos brindar com sua presença. Bem divertido. 

***

Fico aqui jogando conversa fora, mas só penso no leque. Vou lá procurar de novo. 


 

Lançamento de Contos do Poente no Rio de Janeiro



"Vamos à rua do Ouvidor; é um passo. (...) Vós que tendes a cargo o aformoseamento da cidade alargai outras ruas, todas as ruas, mas deixai a do Ouvidor assim mesma (...). Há nela, assim estreitinha, um aspecto e uma sensação de intimidade. É a rua própria do boato. Vá lá correr um boato por avenidas amplas e lavadas de ar. O boato precisa do aconchego, da contigüidade, do ouvido à boca para murmurar depressa e baixinho, e saltar de um lado para outro."
Machado de Assis, 1893

***

O Rio foi generoso comigo. O voo foi suave, o pouso, perfeito. O hotel nos permitiu o check-in antecipado, a feijoada do boteco estava uma delícia; a temperatura se manteve gentil, a chuva esperada para o final do dia não veio. A chuva bem que seria bem vinda, dizem, mas para nós, que estávamos a céu aberto, foi tudo muito redondinho assim. E não era qualquer céu, vamos combinar? Era o céu da Rua do Ouvidor, a rua estreitinha celebrada por Machado. Foi lá, sob as nuvens protetoras da tarde de sábado, que nos agrupamos para papear, lançar nosso livro em terras cariocas, abraçar quem nos agraciasse com a presença. Foi a quarta vez que reunimos leitores e amigos para divulgação de Contos do Poente, a primeira em que Luciana e eu estávamos juntas. E, olha, foi bom demais.

A Folha Seca, livraria do lançamento, sugerida por nossa amiga Renata Lins, fica num sobrado centenário da Ouvidor, um cantinho tradicional da cidade. É cheia de histórias sobre o Rio, sua cultura e seus moradores. Ao lado, botecos e restaurantes com suas mesinhas espalhadas pela rua deram o tom da tarde: festerê. Pontualmente às 13:30, os amigos e leitores começaram a chegar. Entre o início da tarde e o fechamento da livraria, às sete da noite, as mesas reservadas para o laçamento permaneceram tomadas de amigos e leitores. Algumas mesas só ficaram meio vazias quando o pessoal atendeu ao chamado do batuque: o Bloco do Boi Tolo passava na esquina, anunciando o carnaval. Teve gente que correu ali, foi, pulou, festejou e voltou. Lançamento mais animado ever. :-)


Luciana, eu, Rodrigo (o livreiro) e Renata Lins

Finalmente, juntas. Faltou você, Joana. 

Houve amigos da ilustradora Joana, que torcia por tudo lá da Inglaterra, que vieram nos abraçar e conhecer o livro idealizado por ela. E houve quem não conseguisse chegar a tempo de curtir a tarde na Ouvidor, mas que deu um jeito de se reunir ao grande grupo que espichou o encontro quando a noite caiu. Eu fui pro hotel relativamente cedo, mas sei de fontes confiáveis que o convescote foi longe, madrugada adentro. 

Ao longo da tarde, abracei pessoas que admiro há tempos por seus escritos e por bons papos internet afora. Uma alegria atrás da outra. Ainda fiquei com água na boca por todas as pessoas que não consegui encontrar em São Paulo, mas não vou mais reclamar de nada. Sinto-me profundamente honrada em ter nosso livro circulando no meio de tanta gente bacana. Outros encontros virão, certamente.

Agradeço cheia de alegria a presença de todos que compareceram aos lançamentos em São Paulo e no Rio. Em maio desse ano, este blog fará cinco anos. É pouco tempo, mas já posso dizer que causou certa revolução em minha vida. Contos do Poente é, de certa forma, filho dele, pois foi aqui que a Joana me achou e me puxou para o projeto do livro. E foi aqui e nos caminhos internéticos que o blog me abriu que encontrei e continuo encontrando pessoas incríveis. Obrigada, povo.

***

A partir de agora, Contos do Poente pode ser adquirido na Folha Seca, também (Rua do Ouvidor, 37, Centro, Rio). As vendas seguem pela internet, no constosdopoente@gmail.com; em Florianópolis/SC, na Livraria Nobel, do Floripa Shopping.

***

Em março, irei a Campina Grande, na Paraíba. E dessa vez, vou levar lencinhos.  


Congonhas, again


Meu voo saiu com uns cinco minutos de atraso, pouco depois das quatro e meia da tarde, do aeroporto de Florianópolis. A previsão era pousarmos cinquenta minutos depois em Congonhas, de onde eu partiria vapt-vupt para o hotel, largaria minha bolsa e pegaria um taxi para o Canto Madalena. Lá eu me juntaria à Lu e à Fal, e a várias pessoas queridas de Sampa que convidamos para o lançamento de Contos do Poente. Mas, antes, havia Congonhas.

Tenho birra com Congonhas e sei que não estou sozinha. Durante algum tempo foi trauma e medo por causa daquele terrível acidente de que todos se lembram. Depois, por experiência pessoal. Quando me aproximo de lá, já me pergunto "será que o avião vai arremeter dessa vez?". Porque, olha, parece parte do pacote dos meus voos via São Paulo. Enfim. Cá estou, em Florianópolis, num nível de frustração que ainda estou elaborando, escrevendo no blog enquanto tanta gente bacana celebra em São Paulo o lançamento de meu livro sem mim. Estava chovendo muito quando nos aproximamos do aeroporto, por volta das cinco e meia da tarde. E, principalmente, estava ventando muito também. O voo de hoje foi um daqueles que transformam pessoas que antes voavam tranquilas em pessoas com medo de avião. Foi difícil. 

Aquele avião balançou com força. É claro que o piloto arremeteu trinta segundos depois de anunciar que o pouso estava autorizado, dando um clima de expectativa tremendo entre os passageiros. Bem, eu estava na maior expectativa. O fato é que acelerar ao descer em Congonhas, com chuva, causa arrepios. Mas não haveria pouso. Foram três aproximações do aeroporto, sem sucesso. Quarenta minutos depois, o comandante anunciou que nosso tempo de espera para pouso acabara, retornaríamos em segurança para Florianópolis. 

Retornamos, não sem turbulências, porque o avião estava decidido a nos apavorar. Quando pousamos em Floripa, duas horas e meia depois da decolagem, eu estava aliviada por estar viva. Parece dramático? Foi. O comandante então anunciou que a situação em Congonhas melhorara e que o avião seria abastecido e partiria em seguida para Sampa. Não comigo. Imaginei ali uma espera de cerca de trinta ou quarenta minutos para abastecimento da aeronave (seria isso?), além da retirada da bagagem dos passageiros que desistiram do voo e optaram por descer em Floripa. Imaginei, também, o trânsito que eu pegaria entre Congonhas e o hotel com toda aquela chuva despencando sobre São Paulo bem na hora em que todos voltam pra casa. E pensei, gente, eu chegaria ao Canto Madalena muito tarde. E, confesso, eu estava apavorada diante da perspectiva de encarar Congonhas novamente dali a uma hora, uma hora e meia? Não faço ideia de quanto tempo o avião levou para decolar novamente, mas desci e liguei para o Ulisses me buscar no aeroporto. Então liguei para a Fal e a Lu, falei com as duas. Senti um enorme vazio. Uma tremenda dor de cotovelo. Ao mesmo tempo em que me sentia aliviada porque, olha, houve um momento em que realmente temi por nossa segurança naquele avião.

Não foi a primeira vez que Congonhas me fez perder algo importante. Em 2012, perdi o funeral de minha tia por causa do tempo ruim, avião arremetendo, pouso com grande atraso, conexão perdida.  

***

Eu queria muito me desculpar com todas as pessoas queridas de São Paulo que atenderam ao nosso convite e estão agora no Canto Madalena. Eu espero que vocês me perdoem por não ter ficado no avião, encarado tudo outra vez e chegado lá bem tarde - mas chegado. Eu pensei nisso depois, mas só depois de abraçar Ulisses e chorar um pouco para espantar o susto e toda minha enorme frustração. Ele achou que eu deveria ter ido, chegado tarde, ido ver todo mundo. Talvez eu tenha feito a escolha errada, mas eu não estava exatamente escolhendo. Eu quis fugir daquele avião. 

Tenho certeza de que a Luciana está abraçando nossos amigos e leitores por nós duas. Eu nem sei dizer o quanto eu queria estar lá também. Sinto muito, queridos. Desculpas, de verdade. 

***

Sábado vamos, Ulisses e eu, ao lançamento no Rio. Sem Congonhas. 

Contos do Poente - lançamentos RJ e SP


Esta semana teremos lançamento de Contos do Poente em São Paulo e no Rio. Luciana Nepomuceno e eu estaremos lá, esperando por todos vocês. Tenho certeza de que serão dois momentos inesquecíveis para nós - pelo livro, claro; mas também pelas pessoas incríveis que nos honrarão com suas presenças nos dois encontros. Vem, gente!


Na livraria Folha Seca, o ator Domingos de Santana Júnior fará leitura de um dos contos e ainda teremos apresentação da queridíssima Renata Lins. Tá no Rio? Vai lá!


***

O livro por aí:

Nota no Boa Notícia.
Fal Azevedo, no Cruzeiro do Sul.
Renata Lins, no BSC.
Luiz Guilherme de Beaurepaire, em seu blog.

As vendas seguem na Livraria Nobel do Floripa Shopping, em Florianópolis/SC; e para todo o país pelo e-mail contosdopoente@gmail.com.

Quem conta um conto


"Naquela noite, as horas me percorriam, insones ponteiros. Eu queria só me esquecer-me. Assim deitado, não sofria outra carência que não fosse, talvez, a morte. Não aquela, arrebatante e definitiva. A outra: a morte-estação, inverno subvertido por guerrilheiras florações." 
Em "Mulher de Mim", conto de Cada homem é uma raça.

Dá trabalho selecionar trechos e citações de Mia Couto. Há o risco de copiarmos textos inteiros por aí.

Em nossa última viagem de férias, fui de avião e de contos. As asas me foram dadas por Lygia Fagundes Telles, nas histórias de Pomba Enamorada ou Uma história de amor (Ed. L&PM), e pelas construções impecáveis de Mia Couto, nos contos de Cada homem é uma raça (Cia das Letras). Lygia, como sempre, traz sorrisos e suspiros. Seus personagens que parecem saltar das páginas e nos olhar diretamente em nossos olhos me espantam. Precisão, beleza, perspicácia, um encanto sem fim. Ave, Lygia. De Mia Couto me agradam as construções inusitadas, adjetivos transformados em verbos, a linguagem como um cabelo embaraçado, mas cheio de lindos cachos. Gosto e quero mais,; o estranhamento, companheiro em vários textos, é bem vindo, como se as palavras tivessem cheiros novos. Aliás, sou grata pelo glossário incluído no final do livro, que nos empurra um tiquinho mais pra perto de Moçambique e das ambientações todas dos contos. Não que eu tenha recebido todos os textos do livro com a mesma empolgação, não; mas alguns deles, como os ótimos "A Rosa Caramela" e "Rosalinda, a Nenhuma" receberam cantinho especial na gaveta dos afetos.

***

Quero ler o quinto volume das Crônicas de Gelo e Fogo antes do retorno da série na HBO, no mês que vem. Antes, porém, vou ler um livro com quem flerto há tempos (hahaha, quem mais ainda usa "flertar" nessa vida?). Eu bem queria ler o original, "ouvir" de novo tons e nuances do inglês de Mrs. Dalloway; mas encontrei a tradução de Denise Bottmann para To the Lighthouse e fiquei com vontade. Assim vou eu, Ao Farol

Shadows over Camelot


Voltamos de Orlando com vários jogos de tabuleiro nas malas. Foi meio complicado arrumar espaço para tanta caixa grandalhona e pesada no meio das roupas, mas apostamos que tenha sido por uma ótima causa. Somos chegados nesse negócio de reunir gente pra jogar e estamos com água na boca com nossos brinquedos novos. Ontem inauguramos o primeiro deles, um jogo antigo, já conhecido de muita gente, mas novinho em folha pra nós: o lindão Shadows over Camelot. O tema do jogo já nos deixa animadinhos, claro. Fãs da saga do Rei Arthur, estávamos torcendo para o jogo ser divertido; eu, particularmente, torcia só para poder passar horas falando da Morgana, das brumas, do Lancelot. Tudo dominado, acertamos na mosca.


O que mais atraiu o Ulisses foi o fato de o jogo ser cooperativo. Não jogamos uns contra os outros, mas nos reunimos para combater as forças do Mal que ameaçam Camelot. Cada jogador é um cavaleiro da Távola Redonda, incluindo aí o próprio Rei Arthur, e juntos precisamos combater os invasores e encontrar o Graal, além de recuperar Excalibur e a armadura de Lancelot.





É muita função e muito ataque, é preciso um bom tanto de conversa e alguma estratégia - e sorte com as cartas que definem muitas das ações - para vencer. Perdemos a primeira partida, comemos mais amendoim e tomamos mais graals de vinho e cerveja, vestimos nossas armaduras outra vez e, tchan-ans, revanche! Vencemos.

As forças do Mal com cinco espadas e nós, valentes cavaleiros, com sete espadas brancas: victory!

As cartas com poderes e funções dos personagens.

Dois nobres guerreiros tentando recuperar Excalibur (e não conseguindo, a peleja foi feia).

O jogo é um deleite para os olhos. Lindo, lindo. Até o livro de regras é uma delícia de leitura, todo cheio de pompa e tons de "avante, cavaleiros". 

É possível incluir entre os jogadores um traidor que joga contra os outros, na surdina. Provavelmente teremos um temível traitor na próxima partida. Antes, precisamos ensinar o nosso Arthur a jogar o jogo do seu rei Xará, já que ele não participou das rodadas de ontem e anda louco para experimentar. As mulheres tocam o terror: Morgana não decepciona e é carta poderosíssima, de causar arrepios no meio de toda aquela bruma; Guinevere e Vivien também contribuem para embolar o meio de campo, tá todo mundo lá.


Não tenho notícias do jogo em português, não sei se temos uma versão no Brasil. É preciso entender os comandos nas cartas para jogar, mas nada que seja muito complicado. Com um jogador que consiga ler em inglês, acredito que os demais podem memorizar com relativa facilidade os significados dos comandos e lutar com louvor para proteger Camelot. Eu, se fosse vocês, dava um jeito de jogar. É lindo e divertido. O único "problema" é que a gente fica com vontade de ler As Brumas de Avalon de novo. 



"Aquele era um lugar onde o véu que existia entre os mundos era tênue. Ela não precisava mais chamar a barca - ela só precisava caminhar através das brumas aqui, e chegaria a Avalon. Sua tarefa estava cumprida." (Da série livros que amamos para sempre.)

Side by side


Bati todos os recordes de abandono deste blog. Desde sua pomposa inauguração com dois leitores, em 2009, até a presente data, com três leitores, esta estrada nunca esteve tanto tempo entregue à poeira. Costumo registrar minhas andanças com minha turma por aqui, sou adepta do diarinho mesmo, escrevo para ler no futuro e relembrar detalhes de nossas sempre divertidas viagens. Dessa vez, no entanto, não deu. Faltou energia no fim do dia, faltou tempo, faltou ânimo para selecionar fotos. Na verdade, eu quis mesmo manter os pés no mundo e a cabeça fora da rede por umas semanas e devo dizer que foi bom demais. Agora deu, quero papear com vocês outra vez. \o/

Passamos os últimos quinze dias em Orlando, na Flórida, com a missão de levar as crianças à Disney. O bom de viajar para um lugar que "todo mundo" já conhece é que abundam as boas dicas. Fomos sabendo mais ou menos o que esperar, preparados para a maratona de montanhas russas e caminhadas, filas, comida deus nos acuda e temperaturas esquizofrênicas. Estávamos empolgados com a perspectiva de passar oito dias brincando e mais uns tantos passeando ou descansando, mas o que mais nos deixava excitadíssimos era a companhia. Minha amiga Ângela, há décadas morando no norte dos Estados Unidos, iria também, com marido e filhos de idades bem próximas das dos meus. A farra seria completa. E foi.

Chegamos primeiro e de cara nos encontramos com outro casal de amigos, daqui de Floripa, pais de um amigão do Arthur. Eles têm PhD em Disney e foram nossos guias e companheiros tudibom. Começamos por um parque da Universal, o Island of Adventure, e não poderíamos ter feito escolha melhor. O "problema" é que o primeiro brinquedo que experimentei se mostrou imbatível para mim. Nada mais me empolgaria tanto quanto o simulador de Hogwarts. Voamos com Harry Potter e tudo mais ficou, no máximo, em segundo lugar. Nem precisa ser fã do bruxo para curtir a ambientação do parque, mas se você gosta do menino, olha, é diversão das grandes. Nota mil, voltei pra fila sempre que deu.

Arthur Potter e Pedro Skywalker. Foi muito bom ver esses dois juntos na "balada". 

Voltaríamos a Hogwarts dias depois, com Ângela e cia. E com eles visitamos os quatro parques da Disney e os dois da Universal, numa variedade de temperaturas para ninguém botar defeito. Usamos bermudas e camisetas num dia, luvas e capas de chuva no dia seguinte. Pegamos sensação térmica de 5 graus no Epcot, 27 no Universal. Num dia, protetor solar; no outro, capa de chuva. Uma alegria. Uma alergia. Meu nariz enlouqueceu, a tosse me invadiu, gripei, piorei, melhorei, encarei. Se não morri naquelas montanhas russas, meu povo, não seria uma gripezinha mequetrefe que ia me tirar da parada. E se Ângela, que mora praticamente no Polo Norte, sentiu frio, eu tinha direito de ficar com tosse, é ou não é? Botei lencinhos na bolsa e fui pras filas. Filas. Fiiiilas, muitas, a toda hora.

Agora entendo o fuzuê em torno de Orlando, embora eu desconfie que dificilmente encararia a mesma maratona. Claro que a companhia apela, né. Se os amigos cutucam, quero ir. Mas é isso: o melhor da viagem foi a companhia, então pretendo cutucar a Ângela para outras paragens. Pelas crianças? Claro, elas adoraram, mas adoram outras paradas também. Falando nisso, elas sempre nos surpreendem: perguntem a Amanda qual seu parque favorito. Não será o Magic Kingdom - ela mal deu bola pro castelo, pra falar a verdade -, mas o Animal Kingdom. Tá, tudo bem, não é exatamente uma surpresa, quem a conhece sabe da fissura por bichos. O barato é quando você pergunta o que no Animal Kingdom foi mais legal. Nada de montanha russa maluca (que ela encarou) ou safári (que ela curtiu e tirou 890 fotos). O que ela mais gostou foi disso aí na foto:


Milhões gastos em engrenagens e efeitos especiais, ambientações incríveis; Amanda gosta mesmo é de enfiar a cara no buraquinho. E ainda comenta, empolgadíssima: "e tem banquinho pra você subir!"


Para Ângela e para mim foi gostoso demais ver nossos filhos brincando juntos. Arthur e Max, cada um agarrado ao seu livro do Harry Potter, mal trocavam duas palavras no carro. Mas quando começavam a caminhar pelos parques davam o jeito deles e engrenavam as conversas bilíngues mais fofas ever. Tomara que eles se lembrem lá na frente que se olhavam na fila, prestes a embarcar nas montanhas russas ou no brinquedo que fosse e, com os polegares e dedos mindinhos esticados, celebravam: "side by side?". Coisa. Mais. Linda. Na loja de varinhas, compraram as suas, claro, e soltaram muitos feitiços pelos parques. Foi bonitinho demais ver o Arthur olhar para as caixas de varinhas e pensar em voz alta: "qual delas vai me escolher?". Vocês já viram, né? Só falo de Hogwarts. The best. Amanda e a pequena Julia mantiveram uma amizade mais, digamos, silenciosa. A língua foi uma barreira para que elas se entrosassem mais, mas ainda assim tiveram seus momentos "side by side". 


O melhor da Disney.

Quase morri de saudades da Ângela quando ela foi embora para os EUA, muitos anos atrás, e fiquei em Campina Grande. Perdi minha companheira de baladas e uma grande colega de trabalho (éramos professoras de inglês na mesma escola, nossa escola). A vida tem sido generosa conosco e já sabíamos que não podemos reclamar muito. Agora, então. Side by side forever, em qualquer continente.

Adorei ter ido, mas estou bem feliz de ter voltado. A alimentação da Amanda estava me dando calafrios - ela definitivamente precisa se tornar menos seletiva - e eu mesma estava morrendo de saudades de algumas manias. Gostei dos parques, nosso hotel foi uma boa escolha, ver os amigos em viagens assim não tem preço. No entanto, no último dia até as crianças pediram clemência e reclamaram do cansaço. Estou feliz com minhas malas ainda espalhadas pela sala, abandonadas que foram para que eu pudesse correr para a escola e entregar material escolar, conhecer as novas professoras, comprar as últimas peças de uniforme. Amanhã eles voltam às aulas cheios de histórias. 

Sempre falam do brilho nos olhos das crianças diante dos personagens na Disney. Bom, aqui em casa trouxemos o brilho: Amanda anda por aí com sua fantasia de Ariel toda trabalhada na purpurina. Nossa casa tem definitivamente um toque de brilho que veio da terra dos sonhos. O sofá tá cheio dele. :-)

***
Max, Arthur e Amanda, em atitude rock & roll. (Aliás: Aerosmith, melhor montanha russa.)

Junta todo mundo! Anda, Amanda, bate a foto! Corre, Ulisses! Deu, vamos pra fila.

Junta, bate! Aqui, na frente da loja? É, tá bom! Deu, vamos pra fila.


E íamos e curtíamos. De cabeça pra baixo, voando numa vassoura ou rodando numa xícara. Side by side. Disney, check.


 
©A Estrada Anil - Todos os direitos reservados. Layout por { float: left; }