Bryson, o tempo e o Escorpião


Antes de ontem à noite estiquei o braço e alcancei a prateleira mais alta da estante, mas não a mais bagunçada, onde estava meu exemplar de Breve História de Quase Tudo, iria emprestar a uma amiga. Levei o livro para meu quarto onde cada membro da família lia ou teclava alguma coisa. Arthur me perguntou que livro era aquele, falei do que se tratava e disse que, olha, você bem que poderia dar uma olhada, acho que você ia gostar e tal. Ele abriu e viu, na primeira página, nossos nomes escritos com minha caligrafia: "Rita, Ulisses e Arthur, 2006". Mostrou à irmã:

- Olha, Amanda, seu nome não está aqui.

A carinha que ela fez cortaria mil corações. E me olhou, inquisidora. Arthur esclareceu:

- Você ainda não tinha nascido quando a mamãe comprou esse livro, né?!
- Você meio que já existia no coração dela - acrescentou o pai, idealizando só um pouco.

Aparentemente, a explicação não foi suficiente. A cara dela não melhorou muito, a recusa em visualizar um tempo em que não estava ali, naquela cama, em nossa muvuca de fim de dia. Aí me dei conta de que Bill Bryson entrou na minha vida antes da Amanda, o que pode entrar para o rol das comprovações da relatividade do tempo. Porque Amanda é mais espaçosa do que o Bill, parece que está aqui há mais tempo do que consigo medir, mesmo levando em conta todos os bons momentos que a escrita dele me dá.

No dia seguinte minha amiga elogiou a edição toda linda, levou o livro pra casa e sugeriu que eu acrescentasse ali, ao lado dos três nomes, um coraçãozinho planejando a Amanda que viria no ano seguinte. Vejam vocês o cordão do puxa-sacos da minha filha.

Enquanto isso, ainda leio Little Women, atrasada, meio fora de tempo. Uma leitura que deveria ter sido feita aos 15 anos, talvez. Mas sigo lendo, meio curiosa, que o tempo é elástico e a menina que fui ainda está aqui. O que não me impede de sugerir ao Ulisses, assim, meio sem querer, que, olha, em alguma época dessas aí em que o povo costuma dar presentes... sabe, não tenho todos os livros do Bryson e tal. Ele mal me escuta, anda com a cara enfiada em Dezoito de Escorpião, livro que lhe dei no aniversário depois de mendigar sugestões de histórias scifi aos amigos. Parece que a sugestão foi das melhores, posto que falo com meu marido e ele nem mais responde, vão vendo. Vou ali fazer uma lista de coisas com as quais quero que ele concorde e ouvir um "tá" desinteressado. Tipo livros do Bryson.

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