Contos & casos (e histórias da Amanda)



Aí houve o dia em que convidei um casal de amigos para ver o jogo aqui em casa. Convite aceito, todos felizes. No dia do jogo, que seria no final da tarde, fomos almoçar na casa de outro casal de amigos. Almoço bom, todos felizes. Fica aí um pouco mais, o jogo já vai começar, olha que legal. Ficamos. Os amigos, aqueles outros, esquecidos, vieram ver o jogo aqui em casa e deram com a cara da porta. Não sou uma pessoa legal? Eu convido e me esqueço que convidei. Sabe qual é a prova de amor? Eles continuam meus amigos. Até já aceitaram outro convite meu e dessa vez eu fiquei em casa. Todos felizes. 

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Tenho lido, aqui e ali, uns contos do Tchekhov. De vez em quando acho que virei duas folhas de uma vez, mas não. É o conto que acabou mesmo, assim, abruptamente. Não sei se ainda vou me deparar com algum texto arrebatador na coletânea que escolhi. Por enquanto, se alguém gritar "Tchekhov!", respondo "Saúde!".

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Compramos uma mesa de ping pong. Não pensei que fosse tão divertido o negócio. Fim de dia, banhos tomados, eu de pijama, Amanda de sereia, Floquinho meio perdido, ping pong ping pong. Arthur vai aprender, Amanda também. Tá, eu também. Por enquanto, Ulisses passeia humilhando a todos. Deixa ele.

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Minha tia tinha hábitos peculiares. "Guardava" agulhas enfiadas na toalha da mesa ou nas almofadas do sofá, vejam que prático. Também guardava moedas na gaveta de talheres, como já contei aqui.  Além de escolher lugares estranhos para guardar coisas e ser viciada em palavras cruzadas, minha tia gostava de dar presentes. Guardo comigo alguns mimos que ganhei dela, geralmente em datas não especiais. Um terça-feira qualquer, um sábado em que estávamos juntas, por nada eu ganhava um agradinho. Tenho um espelho pequeno de levar na bolsa, um anel dos tempos em que vendeu joias, uma pulseira que trouxe da Espanha em sua aventura pela Europa. Mas gosto especialmente da colherinha de café. E não é porque veio da Suíça ou porque é mais prateada que as outras da gaveta. Não é porque tem o metal trabalhado. É porque é única, né. Uma colher de presente. Quem mais? Só minha tia viajava e voltava com uma colher de presente. Uso para servir o açúcar, porque acho que combina. E a saudade vem como vinham os presentes dela, sem escolher data.

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The Killing: primeira temporada boa, segunda temporada sofrível, terceira temporada bacanérrima. Não sei o que esperar da quarta, mas já sei que detetives não contratar para resolver qualquer caso. Vou te contar, hein.

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Retomar as aulas de yoga foi uma das coisas mais legais que fiz por mim este ano. Empatada com não bater boca por causa das eleições e não voltar a tomar leite (outro inverno sem faringites, yeah).

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Histórias da Amanda

A menina e o campo encantado

"Era uma vez uma menina que encontrou um campo. Era um campo estranho cheio de pássaros, borboletas, gatos da mata, bichos estranhos, besouros voando, não era um campo normal. Era um campo encantado, árvores falando e folhas secas cantando. Ana achou estranhou acabou caindo no sono. Caiu um pozinho na cabeça de Ana. Ana se transformou em um gato. Um gato falante. Ana quando acordou deu um miado, achou estranho quando se olhou ficou assustada e falou sou um gato, um gato que fala e saiu correndo e miando daquele campo engraçado."

Iara

"Aparece um gato selvagem para pegar o passarinho. O pássaro teve que se esconder em algum lugar. A Iara vai ajudar o pássaro. A Iara chama alguns peixes para distrair o gato enquanto Iara fala o que o passarinho deve fazer - Voa passarinho. O pássaro obedecendo Iara voou - muito bem passarinho, mais alto. O gato chateado com Iara pulou na água, Iara foi para o fundo das águas brilhantes e soltou seu canto e encantou o gato. Iara levou o gato para casa e o pássaro para o ninho, fim."
  

1 comentários:

Luciana Nepomuceno disse...

Quando eu estiver chegando, mando uma mensagem, só pra garantir. Ping-pong, mal sei pegar na raquete (chama raquete?) mas torço que é uma beleza. Amo presentinhos e sua tia me encanta. Os russos: ainda não deixei nenhum pra trás. Amanda: que maravilha de talento múltiplo e sensibilidade.

 
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