Vestido de flor e letra bonita


Às vezes eu me sentava no chão, rente à cama, e sobre ela apoiava o caderno. Caprichava na letra e escrevia o que me desse na telha, tentando construir uma mensagem bonita de aniversário capaz de tocá-la de verdade. Via de regra, era bem fácil, já que eu sentia um monte de coisas que serviam bem ao propósito de tocar você. Eu chamava de amor aquilo de querer bem, torcer pra ter sempre perto, ver sorrisos mais frequentes. Sorrisos mais frequentes em seu rosto, aliás, eram o auge do meu desejo naquela época. Depois eu entregava a cartinha em mãos, na sala, junto com o abraço bem apertado. Hoje fico tentando me ver ali, no chão, perto da cama. Enfeito a memória e me vejo com aquele vestido florido de que eu não gostava muito, mas que você insistia para que eu usasse.

Amanhã, dia 03, você faria 74 anos. Não escrevo mais apoiada à cama, mas tomei gosto por vestidos floridos, sabia? A vida que há nas coisas pequenininhas. Minha mensagem seria aqui, talvez. Se abraço e café ou conversas por telefone, não sei. Mas seria a mesma menina tentando caprichar na letra. 

Te amo pra sempre, uma coisa meio doida. Mas é assim mesmo: ainda chamo de amor, esticando o tecido do tempo e vendo você na sala. 

1 comentários:

Anônimo disse...

Amor verdadeiro...eterno amor é assim mesmo, Rita. Assim como a vida é eterna, eu creio que todos que amamos e vão antes de nós, continuam vivos em nossa energia. Grande abraço! Hilda

 
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