Quem tá na chuva


Pois eu abracei meu filho e lhe disse que esporte tem dessas coisas. Ele foi dormir cabisbaixo, de olhos um pouco vermelhos, mas tranquilo. Não me aproveitei da ocasião para exaltar suposta superioridade moral de povo nenhum, tampouco para fazê-lo se sentir mal por viver aqui.

Torcer, secar o adversário; perder de goleada, embasbacar-se com a péssima atuação de seu time; rir de si mesmo, morrer de rir das piadas espirituosas; ficar triste um pouco, por que não? Tudo isso faz parte da chuva, que lava a alma num dia e mostra a lama no outro. Não fuja, filho, se jogue. Curta, torça se quiser, por quem quiser, as escolhas são suas. Permita-se, como você bem fez, a delícia de vibrar junto.

Ainda tem copa, vumbora brincar um pouco mais? Quero você de novo no sofá comigo, torcendo ou rindo das piadas, o que vier.

2 comentários:

Marcia disse...

Esportes são excelentes meios de aprender a perder, aprender a ter espírito esportivo, reconhecer o talento do adversário com graça e respeito. Vale os corações quebrados. :)

Ana Claudia disse...

É bem isso Rita. Tem que rir! Eu confesso que após o quinto gol eu parei de ficar triste e comecei a rir. E olha que eu nem estava assistindo o jogo! Devido a diferença de fuso e por aqui não decretarem feriado, bem na hora do jogo eu estava com um paciente na anestesia. Enquanto organizavam o centro cirurgico e preparavam o paciente eu me dei conta que já haviam se passado 10 minutos de jogo. Nisso minha mãe mandou mensagem dizendo que era 1 para Alemanha. Em seguida meu irmão disse 2, minha irmã disse 3 e meu cunhado disse 4. Olhei o relógio e nem havia passado meia hora. Meu professor apareceu e eu contei para ele e disse que só poderia ser brincadeira da minha família. Ele concordou e foi checar o celular. Nisso ele mostra o celular e diz: não Ana. São 5. A partir daí Rita... Eu só dei risada. Porque já tinha passado do nível de tristeza.

 
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