Passou


O outono passou, a Copa passou, mas o coração continua.


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Amanda, com seis anos, praticamente não acompanhou os jogos. Tinha sempre algo mais interessante a fazer, como praticar dança na escada, seu esporte mais radical. No entanto, foi quem mais fez bico por aqui e se despediu da copa com cara de choro porque, poxa, só daqui a quatro anos - era uma muvuca que parecia boa, afinal. Para o Arthur, acho que ficou a experiência de uma brincadeira que pode ser um espelhinho da vida: tem riso vizinho da dor, esperança, sorte, frustração, soberba, valentia, alegria, arte, beleza, erros, festa, conquista. E bastidores nem sempre tão atraentes quanto o palco.


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Cheguei à reta final de Half of a Yellow Sun. Daqueles livros que você vai morrer indicando pra todo mundo.


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O prazer insubstituível das grandes descobertas: Amanda grita lá da cozinha "legaaaaaaal!!". O irmão corre e pergunta o que foi. Ela, sorvete na mão, anuncia que debaixo do morango tem mais chocolate. A infância é o lugar mais legaaal. Tá, nem sempre, mas com mais chocolate embaixo do morango é, sim.

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Hoje recebi de volta o exemplar de Nu, de Botas, de Antônio Prata (Cia das Letras), que eu havia emprestado a uma amiga. Dei o livro de presente pro Ulisses no último Natal e ganhamos juntos um tanto bom de gargalhadas. Lembro que Ulisses leu os últimos capítulos do livro no hotel, no Rio, antes de sairmos para o lançamento de Contos do Poente, em fevereiro. Cheguei a pensar que ele desistiria de me acompanhar no lançamento, grudado que estava às últimas páginas, com aquela cara de "não quero sair daqui". Cerca de um mês depois, voando para o Nordeste, foi a minha vez. Foi difícil conter as gargalhadas dentro do avião. Viajando sozinha, senti vergonha de deixar o riso correr frouxo. Hoje minha amiga devolveu o livro dizendo que seu final de semana foi melhor por causa dele. Então me lembrei que não havia falado dele aqui. Fica aí a dica de leitura leve e divertidíssima para fins de noite ou um final de semana com mais leveza, agora que não temos os gols ou as defesas fantásticas da Copa para amenizar nossas jornadas. Livro de memórias delicinhas, quem não curte? Para quem, como eu, foi criança nos anos 80 no Brasil, garantia de muitos "eu me lembroooo!!". Leitura rapidinha, dura uns cinco gols da Alemanha... desculpa. Já deu, né?

3 comentários:

Fabiana disse...

Esse livro, minha nossa, não pensei que pudesse gargalhar tanto com as lembranças de infância de alguém.

Tenho que devolver na biblioteca, mas não consigo, porque quero reler, aí fico renovando semanalmente.

Anônimo disse...

Ri alto, coisa que raramente faço quando lieoum livro!

Isadora

Anônimo disse...

ops! "leio um livro"

 
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