Junina



"Não se admire se um dia 
um beija-flor invadir
A porta da sua casa
Te der um beijo e partir
Fui eu que mandei o beijo
Que é pra matar meu desejo
Faz tempo que eu não te vejo
Ai, que saudade d'ocê.
(...)
E se quiser recordar
Aquele nosso namoro
Quando eu ia viajar
Ocê caía no choro
Eu chorando pela estrada
Mas o que eu posso fazer
Trabalhar é minha sina
Eu gosto mesmo é d'ocê"


A festa junina da escola das crianças foi regada a chuva e vento frio, num dia que me lembrou demais os junhos de minha adolescência. Em anos bons, chovia nessa época do ano. Ainda que as noites frias não fossem tão frias como as deste sul por onde ando agora, o clima mais ameno contribuía para o charme de nossas quadrilhas coloridas. Ando saudosa. Eu aceito o pinhão que me servem aqui e tenho carinho pelas tradições que forjam agora o que será a memória de meus filhos depois. No entanto, o mês de junho é sem dúvida o período do ano em que minha pele forasteira mais se arrepia. A maior parte das canções nas apresentações de hoje eram sertanejas e não fazem soar sino algum em minha cabeça. Mas aqui e ali escapa um forró ou cantiga dos quintais nordestinos, e olhar pro céu, meu amor, e ver aquele balão multicor ainda traz água aos meus olhos. Sou como o viajante choramingando pela estrada, meus pensamentos beijando os junhos do Nordeste.

***

Amanda queria saber o que significa "paralelo". Desenhei duas retas paralelas e expliquei do jeito que deu. A certa altura, falei:

- Se você prolongar essa daqui atéééééé o infinito, e fizer a mesma coisa com essa daqui, atéééééé o infinito, elas nunca vão se encontrar.

Depois tentei tornar a coisa mais concreta:

- A gente usa muito essa palavra pra falar de ruas. Tipo [desenhei duas ruas paralelas]: se sua casa é aqui, e sua escola é nessa outra rua, você pode dizer que sua casa fica na rua paralela à rua da escola!
- Mas aí eu nunca vou chegar na escola!!

Verdade. :-/

3 comentários:

Ana Claudia disse...

Olha Rita, depois de ter morado 1 ano e meio no nordeste (6 meses em João Pessoa e o resto em Gravatá) eu, que não sou nordestina de nascimento, te entendo perfeitamente. Não há junho igual ao daquelas bandas. Definitivamente. :(

Ana Claudia disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Luciana Nepomuceno disse...

Ai, baby, ontem comprei o LP do Gonzagão e Gonzaguinha só pra ter o que ouvir na casa do moço (porque, né, mais de 4000 diascos eu não "tinha o que ouvir" ou seja, eu não tinha o sertão pra ouvir...

 
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