Verão sem sorte


Vou ficar velhinha, toda saudosa, rindo de frases pronunciadas na primeira infância dos meus filhos. Aliás, já comecei. Já reviro posts mais ou menos antigos, colecionados nesses quase cinco anos de blog (um bebê temporão, nascido numa época em que tanta gente já nem aguentava mais ouvir falar em blogs - o que reflete bem a dona dele, um tanto lerda para perceber que a chuva já tá caindo faz tempo), e já dou minhas risadas saudosistas agora mesmo. 

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Hoje Amanda me contou toda empolgada uma historinha da Magali. E lá pras tantas surge a expressão "clima de azaração" (não era Turma da Mônica Jovem, era Magali criança mesmo). Ela:

- E eu nem sei o que é "clima de azaração"! É o quê? Um... verão sem sorte??

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Arthur me manda bilhetinhos em código Morse. Anexo ao bilhete, vem a tabela para a devida decodificação. Olho, tiro uma dúvida aqui, outra ali, e a mensagem se revela:

"Mas eu não quero dormir." - antigas tecnologias para antigas demandas. (Foi dormir do mesmo jeito, apesar de descolar um tempinho extra pra ler na cama, pelo esforço em copiar a tabela e tal.)

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Enquanto ele enche folhinhas com pontos e traços, Amanda classifica o mundo. Divide uma  folha de papel com uma tabela em formato de estrela (mais ou menos como se fosse a bandeira do Reino Unido) e preenche os espaços com tipos de bichos, tipos de árvores, tipos de flores, etc. Minha célula preferida tem os "tipos de pessoas": adultos, crianças, bebês, adolescentes e sementes. :-)

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Guardo bilhetinhos deles, bonitos como papel de bala. Alguns são gravuras com recadinhos espalhados entre os desenhos. Outros são declarações de amor, do amor visto de lá, do lago tranquilo da infância boa. A pasta onde moram é um outro tipo de blog, feito de papel colorido, traços sinuosos e o olhar que só é possível nas crianças e, talvez, nos poetas. Tijolinhos de alegria. 

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